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Exemplo de Hedge de Fluxo de Caixa (Contabilidade de Derivativos e Hedge Accounting)

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01/01/2017
Eric Barreto
Partner e Prof. do Insper

ORADOR 1 [00:00:0-2] Agora você vai acompanhar junto comigo um exemplo de hedge. Primeiro, nós temos aqui nesse balanço o caixa, R$ 16.445.000. E um empréstimo que foi tomado no mesmo valor. A única coisa que a gente enxerga aqui nesse balanço é isso. Um empréstimo tomado e a entrada do caixa. Esse empréstimo tem as características dele aqui do lado direito. São as mesmas características de um outro empréstimo, que nós fizemos a mensuração dele no reconhecimento inicial. Então, no início desse empréstimo, ele tem aqui um valor de US$ 5 milhões. Aqui, já tem o valor dele no vencimento, o valor em dólares, que está considerando esse cupom, essa caixinha de 3% ao ano. O valor desse empréstimo foi convertido na data da captação, na data da transação. Ele foi convertido pelo dólar a vista, 3,2890. E foi aí que a gente chegou nesse 16.445.000.

ORADOR 1 [00:01:18] Por enquanto, está só o empréstimo aqui. Aí, o que acontece? Se a gente não tiver hedge, a gente não tem derivativo nenhum protegendo essa dívida, o que acontece? A gente, daqui a um período, vai ter juros de 215. A gente vai ter uma variação cambial de 3425. Os juros, como foram calculados? Foram calculados a essa taxa de 3%. A variação cambial foi calculada considerando um dólar na data de 3,9652. Bom, o dólar inicial era 3,2890. Se ele foi para 3,9652, nós temos uma variação cambial considerável nessa transação. Bom, o que a gente vê no balanço, então? Balanço, juros e variação cambial, os dois têm contrapartida na DRE. Juros, 3% e a variação cambial do empréstimo.

ORADOR 1 [00:02:38] Só estamos com um empréstimo aqui, por enquanto. Que está mostrando o accrual. Simplesmente isso. O empréstimo é mensurado pelo custo amortizado. Agora, vamos considerar o seguinte: vamos considerar que essa dívida, passivo em dólar mais 3%, é o item protegido em uma relação de hedge. O objetivo deste hedge é tornar, conhecido, fixar os fluxos de caixa do passivo, fazendo com que sua remuneração fique igual à do ativo. Bom, swap, que nós vamos fazer, deve ter como ponta ativa, para eliminar aquelas flutuações ali do passivo, ele deve ter uma variação em relação ao dólar, mais 3% ao ano. Esse swap, a gente vai trocá-lo por taxa prefixada, 13,41. Então, essa é a ponta passiva do hedge. A pergunta é: qual é a melhor classificação para esse hedge, dentro daquela três classificações que a gente falou?

ORADOR 1 [00:03:55] Bom, o objetivo do hedge é tornar os fluxos de caixa conhecidos, fixar os fluxos de caixa. Então, a melhor classificação para esse hedge seria um hedge de fluxo de caixa. Agora temos as informações aqui de cálculo, de mensuração dessa operação. Inclusive, o que a gente contabilizou no passo anterior. A gente contabilizou o accrual e a variação cambial do próprio passivo da dívida. Aquela variação cambial de 3425, aqueles juros de 215. Só para ficar claro que esses juros foram calculados em uma data aqui que a gente está, que está a 932 dias corridos do vencimento, ou 639 dias úteis do vencimento. Como estão as informações aqui nesta página.

ORADOR 1 [00:05:13] Você tem o detalhe dessa mensuração na planilha disponibilizada junto com o curso. Mas vamos só entender esses valores sem nos preocupar tanto com os cálculos neste momento. O principal, tanto do empréstimo quanto do swap são R$ 16.445.000. Valor que a gente viu que era o início do empréstimo, já convertido para reais. E aí, este derivativo, este swap tem, na ponta ativa, juros de 3% e ele tem a variação cambial do dólar. Estamos olhando aqui o accrual da ponta ativa, accrual da ponta ativa, ponta dólar. Ele tem juros e variação cambial. A mesma variação, exatamente a mesma, do passivo da dívida. O accrual desse cara aqui, da ponta passiva dele, juros de 13,41%. Então, o accrual dele seria a gente pegar o valor inicial, 16.445.000, apropriar juros pelo tempo decorrido, a taxa prefixada de 13,41%.

ORADOR 1 [00:06:47] E aí, a gente vai chegar nesse 919.919. A diferença da ponta ativa e da ponta passiva, nos dá um diferencial de 2.720.441. Esse é o diferencial a receber desse swap pelo accrual. Mas derivativo é sempre mensurado a valor justo, então, a gente precisa calcular o valor justo da ponta ativa, o valor justo da ponta passiva também. Quando a gente faz isso, o que a gente vai fazer? A gente vai pegar o valor futuro da ponta ativa e vamos trazê-lo a valor presente, por 932 dias corridos, vamos trazê-lo a valor presente pelo cupom cambial. O cupom cambial de 2,77. Está escrito aqui cupom cambial para 1.089 dias. Na verdade, esse já é um cupom cambial para 932 dias.

ORADOR 1 [00:07:56] Então, a gente vai trazer o valor futuro à data presente. Esse valor futuro trazido a 2,77, vai dar somatória de todos esses valores que a gente está vendo aqui no valor justo da ponta ativa do swap. Ele vai dar a soma do 16.445.000, dos juros, da variação cambial, e do que eu chamei aqui de MTM, "mark to market". Estou me referindo aqui só ao diferencial, só à diferença de marcação a mercado do accrual para o valor justo do derivativo, da ponta ativa do derivativo. Aí, na ponta passiva, a gente já tem a accrual. O que a gente vai fazer é calcular o valor justo. O valor justo desse derivativo vai ser o quê? Vai seu valor futuro dele, trazido à data presente. 639 dias. Aqui está escrito: a taxa pré para 748 dias úteis. Na verdade, não são 748. Esses valores que estão aqui, 1.089, 748, isso era no começo desse swap.

ORADOR 1 [00:09:14] Você vai ver isso lá na planilha. Nessa data, a gente está a 639 dias do vencimento, e a taxa prefixada para esse prazo seria de 14,72. Então, a gente traz o valor futuro à taxa de 14,72. Esse números -498.412, nada mais é do que a diferença do valor justo inteiro do swap, para o que a gente já tinha aqui de accrual. Então, esse diferencial, 3.311.680, já é o valor justo do swap. Ele é o valor a receber do swap, já mensurado a valor justo. Como lançar esses dados no balanço patrimonial e na DRE, considerando duas hipóteses? Hipótese A, que não há designação para hedge accounting. Hipótese B, que existe uma designação para hedge de fluxo de caixa. Está escondido aí nesse slide, porque é uma pergunta que eu coloquei antes. Então, para não entregar a resposta logo no mateiral do curso, ele está aí como asterisco. Hipótese B seria designado com hedge de fluxo de caixa.

ORADOR 1 [00:10:46] Vamos ver. Nessa hipótese A temos aí um balanço. Do lado esquerdo deste balanço, temos o caixa. Não se movimentou. Ele está lá parado em reais. Do lado passivo, nós temos um empréstimo, 16.445.000. Nós temos juros e variação cambial, e precisa fazer o quê? Como está sem designação, o que a gente precisa fazer é: colocar a contabilização do derivativo. Apareceu lá um swap do lado esquerdo do balanço, com vários números. Na contabilidade, a hora que a gente olhar para o balanço, na verdade, um valor a receber de um swap seria um único número. Didaticamente, nós colocamos todos os pedacinhos da mensuração da ponta ativa e da ponta passiva do swap. Olha só, vamos começar de baixo para cima. 215 são os juros da ponta ativa do swap. 3.425, a variação cambial da ponta ativa.

ORADOR 1 [00:12:01] 92.797, a marcação a mercado da ponta ativa. 919.919 é o accrual da ponta passiva. E 498, a marcação a mercado da ponta passiva. Juntando todos esses componentes aqui, nós temos um valor de mercado ou valor justo de 591.208. Vamos falar número a número também, porque na DRE a gente também colocou tudo separadinho. Vamos começar na DRE de cima para baixo. Lá em cima, temos os juros do swap, accrual e, logo abaixo... Desculpa, o primeiro são juros do empréstimo. Logo abaixo, temos juros da ponta ativa do swap. Os dois têm o mesmo valor, estão se anulando. A mesma coisa, a variação cambial. Temos uma variação cambial negativa no passivo, e uma variação cambial positiva no swap. As duas estão se cancelando. Então, olha só, o accrual da ponta ativa do swap e do passivo, estão se cancelando.

ORADOR 1 [00:13:27] E o que sobrou aqui? Sobrou accrual do swap e sobrou a marcação a mercado do swap. O problema que a gente tem aqui é essa marcação a mercado. Porque a marcação a mercado está embutindo vários itens que vão gerar uma volatilidade ao longo da vida desse swap, mas que não necessariamente serão realizadas. Se esse swap for liquidado lá no vencimento, essa volatilidade aqui não vai ser realizada. Agora, se a gente tivesse designado esse hedge como hedge de fluxo de caixa, o que aconteceria? Veja que eu tirei o efeito, todos os valores do swap que estavam na DRE. Mas o valor do swap permanece o mesmo. Aquele monte de pedacinhos ali de accrual e valor justo da ponta ativa e da ponta passiva do swap, continuam aparecendo no balanço. Mas eles não estão na DRE. Por quê? Se eu fizer um hedge de fluxo de caixa, vamos ver o que acontece.

ORADOR 1 [00:14:47] Aquela marcação a mercado, 591 mil, não vai para a DRE. Ela vai para o patrimônio líquido. Esse é o efeito do hedge de fluxo de caixa. E eu estou considerando aqui que esse hedge é 100% efetivo. Por isso, todo o valor justo dele está lá no patrimônio líquido. E o que ficou na DRE? Ficou o accrual do swap. Temos o accrual da ponta ativa, juros. Temos o accrual da ponta ativa ainda do swap, que é a variação cambial. E o accrual da ponta passiva do swap, que são os juros prefixados, 13,41%. Veja que na soma dos resultados dessa DRE, sobra justamente a apropriação de juros prefixados do swap. A sobra é justamente o accrual do 13,41%. Ora, se o objetivo desse swap era prefixar, se o objetivo dele era tornar o fluxo de caixa conhecido e fixado a 13,41%, essa DRE está refletindo melhor esse resultado. Porque a gente tem, justamente, um resultado de 13,41%.

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