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01/01/2017
Eric Barreto
Partner e Prof. do Insper

Comecemos então a falar sobre a contabilização dos derivativos.

Um derivativo, primeira coisa que a gente precisa saber é que, no momento inicial, quando existe um contrato de derivativo, neste momento, na data da transação, a gente precisa fazer o reconhecimento inicial. E esse reconhecimento é feito pelo valor justo do derivativo.

A própria norma contábil lembra que o valor justo de um derivativo, no início de um contrato, idealmente, é zero. Por que idealmente é zero?

Porque, se eu não tiver favorecimento sobre nenhuma das partes, um derivativo, derivativo que visa proteção, tem direitos e obrigações associados. E, no início desse contrato, esses direitos e obrigações estão em equilíbrio.

Então, quando a gente pensa em contabilidade, esses direitos e obrigações, eles são ativos e passivos. E, se eu faço a diferença dos valores de ativos e passivos, eles são equivalentes. Eu chego num valor zero. Idealmente é isso.

Bom, além do valor justo dos derivativos, no momento inicial, a gente precisa se preocupar com custos de transação. Os custos de transação, no caso dos derivativos de qualquer instrumento financeiro, classificado ao valor justo por meio do resultado, esses custos vão para o resultado imediatamente. Vão para a DRE.

Muito bem. Nós temos um exemplo numérico aqui no material. Eu vou ler esse exemplo inicialmente. Considere que após contratar um empréstimo em dólar + 3%, uma entidade fez um hedge, *? de proteção, com swap. Swap é um instrumento financeiro que troca moedas, fluxo de caixa, indexadores.

Então, essa entidade trocou dólar + 3%, por uma exposição à taxa fixa de 13,41%.

Então essa entidade fez uma captação.

Provavelmente uma captação no exterior. Captou dinheiro em dólar a uma taxa que, provavelmente, ela considerou atrativa. Uma boa taxa de juros, 3% ao ano.

Mas, para não correr o risco de variação cambial, a variação do dólar, essa empresa contratou um swap que troca essa taxa de juros pela taxa de 13,41% ao ano em reais.

O exercício pede: calcule o valor justo deste swap na data de contratação, que é o dia 20/07/2015.

Muito bem.

Temos todos os dados aqui desse contrato.

A minha recomendação para você fazer essa mensuração, a mensuração inicial desse derivativo: que você faça uma pausa neste vídeo. Pegue uma planilha, abre um Excel no seu computador. Se você estiver assistindo esse vídeo no computador e não no celular, isso vai ser muito mais fácil, né?

Senão, quando você chegar em casa, você faz isso. Abre o Excel, monta uma planilha com as informações básicas desse swap. De propósito, esse swap, não é um swap muito complicado. É o que a gente chama de Plain Vanilla.

Ele é o swap mais simples que tem.

Ele tem um único fluxo de caixa no vencimento. Ele está trocando uma variação em dólar por uma variação em reais.

A gente está trocando dólar + 3% por reais 13,41%.

Como a gente faz a marcação a mercado ou o cálculo do valor justo? O que a gente precisa?

A gente precisa de informações de mercado.

Informações de mercado é informações que eu vou buscar fora da empresa.

O valor justo é um valor que qualquer participante do mercado chegaria nesse valor ou em algo próximo do valor justo.

Ele não deve utilizar muitas informações internas da entidade.

Então, deve privilegiar o uso de informações de mercado. Bom, para eu mensurar um swap desse tipo a valor justo, eu preciso: primeira coisa, vou pegar as informações contratuais desses swap. Swap tem duas pontas: ponta ativa, a ponta dos direitos daquilo que a gente espera receber, e a ponta passiva, que é a ponta das obrigações.

A primeira coisa que eu vou fazer é pegar essas informações contratuais e projetar o valor futuro desse swap. Projetei o valor futuro das duas pontas, da ponta ativa e da ponta passiva, a ponta dólar e a ponta reais. E aí, marcar o mercado ou calcular o valor justo é fazer o quê? É trazer essas duas pontas do swap para a data de mensuração.

No caso, é a própria data de contratação do swap. Eu vou trazer essas duas pontas, considerando como taxa de desconto, a taxa de mercado. Então, para eu trazer a valor presente a ponta desses swap que remunera em reais, ao 13,41%, o que eu vou fazer? Eu vou pegar uma taxa de mercado.

Posso pegar um referência nos DI futuros, né? Que são negociados na BM&F. Ou com base em taxas de títulos públicos que são negociados. Mas o usual é a gente pegar com base nas taxas de DI futuros que são negociados na B3. Não acostumei ainda a chamar de B3.

Mas a gente vai pegar essas taxas de mercado, a taxa prefixada em reais, para o mesmo prazo desse swap. E vamos trazer esse valor futuro para a data de mensuração, usando a quantidade de dias úteis que existe. Da data de mensuração até o vencimento que a gente está mensurando.

Para a ponta dólar... Ponta dólar paga um dólar mais um percentual, uma taxa de juros que a gente chama de cupom.

Então, o que a gente vai fazer?

A gente vai pegar o cupom cambial desse prazo. Da data de hoje até a data de vencimento do swap.

Só que, neste caso da mensuração em dólar, a gente utiliza os dias corridos. O prazo em dias corridos. Então, a gente vai trazer esse fluxo, o valor de vencimento em dólar. A gente vai trazer ele à data de mensuração. Utilizando o cupom cambial e utilizando a quantidade de dias corridos, do vencimento até a data de mensuração.

Então, vamos lá. Resumindo aqui. Calcular valor futuro das duas pontas do swap, considerando condições contratuais em dólar spot, né? O dólar da contratação do swap. Segundo passo: trazer a ponta em dólar a valor presente, utilizando o cupom cambial para x dias corridos.

Terceiro passo: trazer a ponta em reais a valor presente, utilizando a taxa prefixada para y dias úteis. No exercício, a gente tem essas taxas.

A gente não vai precisar buscar essas informações no mercado, porque ela já estão aí.

A gente já tem o cupom cambial para 1.089 dias corridos.

Essa taxa inteira aí: 3,9423%. E temos a taxa prefixada para 748 dias úteis, que é o 14,4%. Legal?

Depois, a gente vai fazer, para saber se tem um valor a pagar ou a receber, o que a gente vai fazer?

A gente vai pegar essas duas pontas, ativa e passiva, e vamos fazer, a ponta ativa menos a ponta passiva. Se sobrar um valor maior ativo, eu tenho um valor a receber.

Se sobrar um valor maior passivo, se essa continha der um número negativo, eu tenho um diferencial a pagar. Legal?

Mas, se você fez as contas direitinho, você provavelmente chegou a um valor justo zero.

Esse swap tem um valor justo zero no reconhecimento inicial. Legal? Ficou com dúvida nos cálculos? Baixa a planilha que a gente disponibilizou aí no curso, para conferir os cálculos.

Muito bem. Esse foi o primeiro exercício que a gente fez.

Um exercício muito mais calculeira do que contábil.

Mas é um exercício importante. Para quem precisa entender um pouco mais sobre o cálculo do valor justo, recomendo que baixe a planilha e estude um pouquinho aí do que a gente fez nessa planilha.

A gente não vai fazer muito disso aqui nesse curso.

É um curso de contabilização, onde a gente vai explorar bastante os vários aspectos do hedge accounting por aqui.

Então, a gente não vai poder explorar tanto a calculeira. Para finalizar esse pedacinho do nosso curso, vou relembrar mais uma vez que, independente da gente estar tratando de um contrato futuro, de um contrato a termo, de um swap, de uma opção ou de qualquer variação de derivativo, derivativo é sempre mensurado a valor justo. E dentro das categorias de instrumentos financeiros, derivativo sempre valor justo por meio do resultado.

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