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Descasamentos contábeis (accounting mismatches)

Descasamentos contábeis (accounting mismatches)
22/01/2020
Wesley Carvalho
Expert
Eric Barreto
Partner e Prof. do Insper

Iniciaremos esse texto falando sobre o que seriam os tais descasamentos contábeis, mas faremos isso a partir de um exemplo simples. Imagine que você (ou sua empresa) tomou um empréstimo de $ 10.000,00, à taxa de 10% a.a., pelo prazo de 2 anos, e aplicou esses $ 10.000,00 em um título que rende os mesmos 10% a.a. e que será resgatado em 2 anos. Não precisa ser matemático (ou contador) para entender que, se o empréstimo for pago na data estipulada e a aplicação financeira for mantida até o vencimento, seu resultado será de exatos “zero dinheiros”. No entanto, se essa aplicação fosse mensurada ao valor justo (valor de mercado) e o empréstimo fosse mensurado ao custo amortizado (accrual), ao longo do tempo, o valor do ativo estaria diferente do valor do passivo, e consequentemente, o resultado ao longo do tempo seria diferente de zero.

De acordo com as práticas contábeis geralmente aceitas (GAAPs) no Brasil e no mundo, existem diversas formas de mensurar ativos e passivos financeiros, assim como outros ativos e passivos. Se forcarmos somente nos ativos financeiros, veremos que existem ativos mensurados ao custo amortizado e ativos mensurados ao valor justo, sendo que alguns têm contrapartida da sua valorização no PL, e outros têm contrapartida da sua valorização na DRE. De outro lado, os passivos financeiros, na maioria das vezes, são mensurados ao custo amortizado, e os derivativos, sempre ao valor justo. Complicou? A ideia desse parágrafo é lembrar que existem ativos e passivos relacionados, como os derivativos para hedge e os itens protegidos por esses derivativos, e que esses podem estar contabilizados por critérios de mensuração distintos, já que os derivativos estarão sempre ao valor justo. Pior: algumas vezes, temos instrumentos de hedge protegendo itens que estão fora do balanço, como compromissos firmes assumidos ou fluxos de caixa previstos, desde que altamente prováveis.

A prática de hedge accounting trata de um fundamento da contabilidade que permite a uma companhia relacionar um instrumento de hedge a um item que esteja sendo protegido pelo mesmo. O propósito da contabilidade de hedge é evidenciar, nas demonstrações financeiras, o efeito das práticas de gestão de risco destinadas à redução das exposições que podem impactar o resultado e o patrimônio líquido das empresas.

A estruturação de um hedge econômico com a ausência de uma designação formal do hedge accounting poderia causar equívocos na avaliação do lucro contábil, bem como, ocasionar volatilidades temporais nos resultados, proveniente dos descasamentos contábeis entre as relações de hedge, como nos exemplos abaixo:

O hedge accounting é uma técnica que altera critérios de mensuração e/ou classificação contábil de instrumentos ou objetos de hedge. Os exemplos apresentados no quadro anterior poderiam ser designados para hedge accounting e contabilizados de maneira que os descasamentos contábeis fossem eliminados. Em muitos casos, os descasamentos contábeis são originados por diferenças entre critérios de mensuração, pois grande parte dos instrumentos de hedge são derivativos, que originalmente são mensurados ao valor justo, e itens protegidos que são off balance ou mensurados ao custo amortizado, durante o período de proteção.

O conceito do custo do hedge, implementado pela IFRS 9 também trouxe benefícios em comparação à norma antiga (IAS 39) no que tange aos descasamentos contábeis. Nesse caso, o que poderia gerar um descasamento contábil seriam os componentes excluídos nas relações de hedge. Leia também o nosso texto sobre custo do hedge.

 
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