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Hedge de taxa de juros

Hedge de taxa de juros

O texto de hoje discute uma notícia da revista Valor Econômico, cujo título expõe o seguinte cenário: “Risco à manutenção de Selic baixa tende a estimular hedge”. Na publicação dessa matéria, um executivo de um banco comentou “Quando o CDI [taxa equivalente à Selic] estiver mais baixo, pode ser uma boa hora para as empresas travarem o custo da dívida”.

Por meio do comentário do executivo, percebemos a relevância do hedge em cenários de baixa da taxa de juros, principalmente para as empresas que possuem dívidas atreladas a taxas flutuantes e ativos prefixados. A fixação do custo as deixaria mais seguras em relação aos movimentos do mercado. Embora a taxa de juros não pareça tão volátil quanto o câmbio e as commodities, suas variações podem comprometer completamente a margem de intermediação de uma instituição financeira.

À época daquela notícia, a taxa básica de juros (SELIC) estava em 7%, e em janeiro de 2019, conforme dados do Banco Central , caiu par o nível de 4,5% - seu menor nível histórico, desde janeiro de 2010.

Para fixar o custo de uma dívida, geralmente utilizamos instrumentos financeiros derivativos, como swaps. Trata-se de um contrato fechado no mercado de balcão, construído sob medida para transferência dos riscos. Muitos bancos, principalmente os de grande porte, também utilizam os contratos futuros de DI negociados na B3, mais baratos, porém, com tamanhos e vencimentos padronizados e liquidação financeira diária.

Cabe ressaltar que, para efeitos contábeis, as dívidas apresentam um descasamento de bases de mensuração em relação aos derivativos. As primeiras são mensuradas e contabilizadas ao custo amortizado (accrual), enquanto os derivativos são mensurados e contabilizados ao valor justo. Com esse cenário, é recomendável adoção do hedge accounting, critério contábil opcional que tem como objetivo a redução desses descasamentos temporais, de forma que a contabilidade reflita de forma mais clara a prática de gerenciamento de riscos e o regime de competência nas demonstrações financeiras.

Outro ponto é: como essa estrutura de hedge resulta em um risco prefixado, a projeção dos fluxos de caixa para a estrutura de capital torna-se menos incerta, o que também pode beneficiar as empresas nas decisões de investimento e financiamento, principalmente quando a estrutura do hedge protege uma exposição de longo prazo.

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