Nenhum resultado encontrado.
Finanças Corporativas

Contabilidade para Investidores - Alguns índices bacanas - Liquidez

Tenha acesso ilimitado

Acesso a cursos, guias, artigos e vídeos. Sem pontuação CRC.

R$50

/mês

Começar Também preciso de pontos CRC
30/09/2020
Eric Barreto
Partner e Prof. do Insper

Alguns termos já foram usados aqui no curso e eu ainda não tive o cuidado de explicá-los.

Nós vamos falar agora sobre o capital de giro líquido, que também é conhecido como capital circulante líquido. As siglas CCL, CGL são usadas bastante. Tem o mesmo significado CCL, CGL, capital de giro líquido, capital circulante líquido.

Do que a gente está falando? É de um conceito de liquidez. Para explicar esse conceito, primeiro eu vou fazer uma pergunta: como seria a liquidez de uma empresa que tenha um ativo de $ 1 mil, um ativo circulante de $ 1 mil, e um passivo circulante também de $ 1 mil.

Ou seja, a empresa tem ativos e passivos de curto prazo de mesmo valor.

Será que essa empresa tem uma gestão de liquidez perfeita?

Uma gestão de liquidez ótima? Por isso, os ativos e os passivos de curto prazo têm o mesmo volume financeiro?

Será que é essa a interpretação que a gente poderia fazer?

Aí, eu faço uma provocação: o que costuma ter no passivo?

Não espere eu responder essa pergunta.

Pense um pouquinho, tenta anotar em um papel ou em algum arquivo que você tenha aberto no seu computador. Tenta fazer essa anotação. O que costuma ter no passivo circulante?

Pense em três coisas que costuma ter no passivo circulante. Vamos lá. Eu vou dar três exemplos aqui. Vamos imaginar que a gente tenha salários a pagar. O que mais? Empréstimos de curto prazo a pagar e fornecedores.

Três coisas que, via de regra, a gente encontra no passivo circulante das empresas.

Agora, pensa sobre o efeito de uma empresa não honrar com essas obrigações de curto prazo.

O que acontece se a empresa não pagar os salários que estão lá no passivo circulante?

Provavelmente, vai ter greve. Vai ter turnover, rotatividade de funcionários. E isso vai afetar os resultados da empresa. Talvez até a continuidade da empresa.

O que acontece se a empresa não paga empréstimos de curto prazo?

Se a empresa não paga empréstimos de curto prazo, o custo da dívida dela sobe. Ela vai ter que pagar taxas maiores.

Isso se não acontecer o pior: se a empresa não perder as suas linhas de crédito.

Ou seja, ela precisa renovar esses empréstimos e não tem como, porque ela não tem mais linha de crédito.

Então, veja, é um grande problema para uma empresa não honrar com seus passivos de curto prazo.

Agora, vamos pensar um pouquinho sobre ativos de curto prazo. O que a gente costuma ter no ativo circulante? Pensa de novo em três exemplos.

Coisas que sejam muito corriqueiras. Coisas que sejam comuns em vários tipos de empresa.

Vamos lá, eu pensei em três: caixa, contas a receber e estoques.

Vamos primeiro falar do caixa.

Um caixa é o ativo mais líquido de todos.

Posso considerar que tem um risco baixo no caixa, nos equivalentes a caixa. Então, legal.

Então, esse ativo circulante, esse ativo de curto prazo, a gente pode considerar que a gente pode contar com ele.

Vamos descer, agora, para o contas a receber. O contas a receber de uma empresa não é livre de riscos.

Contas a receber nem sempre será recebido.

Porque você tem o risco de crédito. Entre outros riscos, a gente tem risco de crédito. No caixa, mesmo, a gente tem risco de inflação.

Dependendo se esse equivalente a caixa está aplicado em uma instituição financeira, você pode ter algum risco de liquidez ou risco de solvência da instituição financeira.

Mas assim, risco no caixa é pequenininho. Então, vamos deixar o caixa de lado.

Estamos contando com o caixa. No contas a receber, a gente também tem vários riscos. Mas o risco que eu quero chamar atenção aqui é o risco de crédito. O risco de não recebimento.

Por isso, normalmente, as empresas não contam com 100% do contas a receber, tá?

Em termos de liquidez, a gente tem que considerar que tem um risco importante ali.

E aí, vamos para o estoque. O estoque tem vários riscos. E, claro, depende da natureza da empresa.

Ela vai ter estoques diferentes. Estoques mais líquidos ou menos líquidos. Estoques com preços mais voláteis ou menos voláteis.

Então, dependendo do tipo de empresa, do negócio da empresa, o estoque tem características diferentes. Mas a gente pode pensar aqui em risco de mercado, né? Flutuação no preço do que a empresa guarda no estoque. Esse é um risco.

A gente pode pensar aqui num risco físico, o risco de extraviar o estoque. A gente pode pensar no risco de obsolescência. No risco de negócio da empresa.

A empresa não conseguir vender o estoque, por qualquer razão. E até no risco de crédito. Porque eu preciso primeiro vender e, depois, aguardar o cliente pagar. Aguardar o recebimento. Então, o estoque congrega uma série de riscos.

Então, não dá para a gente considerar que o estoque, mesmo que ele esteja lá no ativo de curto prazo, não dá para a gente considerar que ele vai se transformar em caixa e que ele serve para análise de liquidez.

Então, eu ter uma situação como essa, na qual a gente tem ativo circulante, igual ao passivo circulante, muitas vezes incomoda.

Não é legal para a gente dizer que a liquidez dessa empresa é perfeita.

Que a gestão de liquidez é uma gestão ótima. Normalmente, como é que a gente faz?

Normalmente, a gente trabalha com uma certa sobra no ativo circulante. Por quê? Porque a gente tem incertezas relacionadas ao ativo circulante. E a gente tem passivos circulantes que, efetivamente, devem ser pagos dentro de 12 meses. Então, a situação que a gente trabalha é uma situação já com uma folga no ativo circulante.

Essa folga que está aqui sendo mencionada como colchão de liquidez. Colchão de liquidez. Ele tem um termo técnico melhor do que colchão de liquidez, tá?

Mas o termo é legal para a gente entender. O que é o colchão de liquidez? Essa diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. É esta sobra de ativos de curto prazo. Que é justamente o que a gente chama de capital de giro líquido ou capital circulante líquido.

Ta bom? Então, é justamente esse o cara que nós estamos chamando de capital circulante líquido ou capital de giro líquido. Então, quanto maior essa folga, maior a liquidez de curto prazo da empresa.

E aí, quando a gente pega livros de análise de demonstrações contábeis, esses livros, normalmente, colocam um monte de indicadores e falam assim: quanto maior melhor.

Então, se eu estiver olhando só para a liquidez de uma empresa, e eu vejo capital de giro líquido, quanto maior, melhor, beleza.

Então, estou falando só de liquidez. Mas uma empresa que tem muito capital de giro líquido, tem muita liquidez, pode ser que ela tenha problemas de rentabilidade. Porque ela tem muitos ativos aplicados ali no curto prazo que, não necessariamente, vão dar o retorno do negócio da empresa.

Então, a gente sempre... Indicadores, a gente nunca pode olhar um indicador em absoluto e acreditar nesse indicador. O que mais? Já falei como a gente calcula a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.

Ele é um indicador absoluto.

Não tem como eu comparar empresas diferentes por meio do capital de giro líquido.

Eu posso, por exemplo, pegar a empresa Ambev, estou analisando a Ambev, e eu posso comparar o capital de giro líquido da Ambev ao longo de cada trimestre.

Estou comparando o capital de giro líquido dela num histórico. Para ver a evolução dele, comparar com outras variáveis, tal, entender como está a liquidez da Ambev. Ou de outra qualquer outra empresa.

Agora, eu não posso comparar o capital de giro líquido da Ambev com o de alguma outra empresa.

Bom, primeiro, porque o exemplo que eu peguei aqui, a Ambev, é péssimo para Brasil. Porque a Ambev é uma empresa muito grande em relação às concorrentes dela aqui no Brasil.

Mas, mesmo se eu pegasse um concorrente internacional da Ambev, fica muito difícil a gente comparar um índice que é um número absoluto. Eu peguei ativos menos passivos, eu tenho um número absoluto ali de sobra de ativos.

E, se eu comparar com uma outra empresa que é um pouco maior ou um pouco menor, esse número absoluto, ele já não dá para comparar e falar que uma empresa tem mais liquidez ou menos liquidez.

Por exemplo, se eu comparar os números do Magazine Luiza com o grupo Pão de Açúcar.

Falar: ah, uma dessas empresas tem aqui um número de capital de giro líquido maior do que o outro grupo.

Isso não necessariamente representa mais liquidez, tá? A gente precisa levar em conta o tamanho da empresa, o porte da empresa.

Por isso, o capital de giro líquido é um indicador que a gente utiliza para analisar a própria empresa. Mas não para comparar ela com outras, nem com empresas similares. Tá?

Bom, e aí, o que a gente faz, então, para entender liquidez? Para poder comparar as empresas similares? A gente usa índices de liquidez.

Então, a gente utiliza alguns índices de liquidez que nascem do conceito de capital de giro líquido. Os índices de liquidez nascem do conceito de capital de giro líquido.

Vamos ver um exemplo aqui: índice de liquidez corrente. O índice de liquidez corrente divide o ativo circulante pelo passivo circulante.

Ora, são as mesmas duas variáveis que a gente estava utilizando para calcular o capital de giro líquido.

Só que o capital de giro líquido, a gente estava fazendo uma menos a outra, ativo circulante menos passivo circulante.

Agora, a gente dividiu uma pela outra e a gente criou um índice.

Esse índice é mais comparável.

Eu consigo comparar empresas diferentes. Desde que essas empresas sejam comparáveis, sejam do mesmo setor ou sejam empresas similares.

Não faz sentido, nenhum sentido, eu comparar empresas de setores diferentes, empresas que não são similares.

Por exemplo, vou comparar um banco. O banco tem lá no ativo carteira de títulos de valores mobiliários, tem títulos públicos, títulos privados, tem carteira de empréstimos. Não faz o menor sentido eu comparar com uma indústria. Ou comparar uma indústria com uma empresa comercial, tá? Porque o negócio é diferente.

Os prazos médios de cada negócio são diferentes.

Então, esses índices de liquidez e quase todos os índices...

Só não vou falar 100% para não incorrer em algum erro aqui.

Mas, no geral, os índices são utilizados para comparar empresas similares.

Não faz sentido eu comparar empresas de setores muito diferentes.

Por quê?

Vamos vão pegar um exemplo aqui. Eu posso ter uma empresa que tem um prazo médio de recebimento de 30 dias.

Uma empresa que tem um prazo médio de recebimento de 30 dias, vai ter um contas a receber de determinado tamanho. E se eu for comparar essa empresa com outro tipo de empresa...

Por exemplo, vamos supor que eu gostaria de comparar uma empresa de varejo que tenha o prazo de recebimento de 30 dias, com uma construtora, que tem um prazo médio de recebimento de dois anos. Porque ela tem um negócio que é muito diferente do varejo, que são construções de unidades imobiliárias, por exemplo, e que são empreendimentos de longo prazo, que os clientes normalmente pagam num prazo maior. Tá?

Então, contas a receber tem um prazo médio de dois anos na construtora, de 30 dias numa empresa de varejo.

Então, é natural que o contas a receber da empresa construtora seja muito maior que o da empresa de varejo.

E aí, quando eu vou olhar para ativo circulante, o ativo circulante dessa empresa que tem um prazo maior, ele vai ser maior do que o da outra que tem um prazo pequenininho. E é por isso que a gente não compara empresas... Primeiro, empresas de setores diferentes.

Não faz sentido. E empresas que tenham portes muito diferentes também.

Aí, eu vou pegar um outro exemplo: a própria Ambev, que eu mencionei a pouco.

A Ambev é uma empresa que domina alguns mercados e, por isso, ela tem algum poder de barganha maior do que os concorrentes dela.

Então, o prazo de pagamento da Ambev para fornecedores, costuma ser longo.

A Ambev paga seus fornecedores, às vezes, com prazo de 120 dias, às vezes com prazo de 180 dias. Tá?

E, se a gente for comparar a Ambev com uma outra empresa de bebidas, com a Dolly, ou com alguma outra empresa de bebidas regional, essa empresa não vai conseguir ter o prazo de pagamento da Ambev. Não porque... Isso não tem uma relação direta com o setor de bebidas.

Isso tem relação com o poder de barganha da Ambev em relação aos fornecedores.

Os fornecedores da Ambev dependem dela para sobreviver, para ter um negócio saudável.

Os fornecedores dessas outras empresas menores que a Ambev, não necessariamente, e provavelmente, não têm essa mesma dependência.

Tá? Por isso, o poder de barganha delas é menor.

O prazo de pagamento deve ser menor.

Aí, eu vou comparar indicadores que têm o passivo circulante no denominador?

Não vai funcionar.

Não faz sentido eu comparar a Ambev com outras empresas muito menores, ou qualquer empresa de portes muito diferentes, porque isso vai dar diferença no indicador e a gente não vai conseguir interpretar isso. Não tem significado, tá? Esse é o ponto. Não tem significado.

Então, gente, vamos fazer o seguinte: compara empresas que operam em setores similares e que tenham um porte comparável. Não tenha um abismo entre elas. Legal?

Agora, vamos falar do índice de liquidez corrente, que já está projetado aí. O índice de liquidez corrente está dividindo o ativo circulante pelo passivo circulante.

Então, se eu falei que era legal a gente ter o ativo circulante um pouco maior do que o passivo circulante, obviamente é bom que esse índice de liquidez corrente seja maior do que 1. Beleza?

Se ele for exatamente igual a 1, quer dizer que o ativo circulante é igual ao passivo circulante, né?

Dividi dois números iguais, deu 1.

Então, para o ativo circulante ser maior, tem que ser um pouco maior do que 1.

Bom, na prática, eu só olho para esse índice de liquidez corrente e ele tem que ser maior do que 1 e beleza? Segue o jogo? Não, não é só isso.

Você vai comparar, como eu falei, empresas comparáveis.

Então, normalmente, se você trabalha em um banco, se você trabalha em um fundo num banco de investimento, ou na área de crédito de um banco, ou simplesmente se você está se preparando para trabalhar com análises, o que você vai fazer?

Você vai comparar a empresa sob análise com empresas similares. Vai comparar com a média do setor. O que eu quero saber no fim? Se a empresa que eu estou analisando está acima da média ou se ela está abaixo da média. Se ela está acima da média ou na média do setor...

Bom, se esse setor é um setor que está indo bem e a empresa que estou analisando está na média ou um pouquinho acima da média, está legal.

Estou tranquilo. Se a empresa tem um indicador que é muito acima da média, para mim isso não é um bom sinal em absoluto. Se uma empresa tem qualquer indicador que está muito acima da média do setor dela, pode indicar, no caso de indicadores de liquidez, pode indicar que essa empresa tem um excesso de liquidez.

Isso pode prejudicar a rentabilidade dela. Ou pode indicar que essa empresa está desviando a atenção, o foco dela no negócio. Porque ela está muito diferente dos concorrentes dela, de empresas similares.

Pode indicar que essa empresa, de repente, está se preparando para uma aquisição, para algum investimento, e por isso ela tem mais liquidez do que os demais. E pode indicar algum problema na contabilidade da empresa, também.

Você vê uma empresa, todos os índices super positivos e muito diferentes da concorrência. É aquele ditado batido: quando a esmola é demais, o santo desconfia, né?

É isso. Se a empresa está muito acima do setor dela, ou ela tem uma baita de uma estratégia, ou tem alguma coisinha errada aí nessa contabilidade, tá? Pode acontecer isso também.

E se o índice está abaixo da média, aí é uma bandeirinha amarela, pelo menos, de: essa empresa pode estar com um problema de liquidez.

Então, qualquer indicador, a minha recomendação é: você não vai investir ou deixar de investir em uma empresa por causa de um indicador. Você vai olhar para um conjunto de indicadores, e esse conjunto de indicadores vai te ajudar a elaborar perguntas. Muito bem.

Então, esse é um índice de liquidez corrente.

A gente também tem outros indicadores importantes. Indicadores bastante utilizados no mercado para a liquidez.

Um deles é o índice de liquidez seca, que está aqui no meio. Índice de liquidez seca faz o seguinte: lembra que eu falei que o estoque carrega alguns riscos que a gente pode, por causa desses riscos, entender que o estoque não é necessariamente liquidez. Então, a gente pode, para calcular a liquidez de uma empresa, para calcular algum índice, a gente pode excluir o estoque.

É isso que o índice de liquidez seca faz. Aí, quando a gente lê...

Por exemplo, calculei o índice de liquidez de uma empresa e deu 1,5.

Eu vou ler assim: a empresa tem 1,5 ativo circulante, para cada R$ 1,00 de passivo circulante, mesmo sem considerar o estoque.

Mesmo desconsiderando 100% do estoque, ela tem 1,5 de ativo circulante, para cada 1 de passivo circulante, tá? É assim que a gente lê esse indicador.

Eu acho que o índice de liquidez seca é um índice legal para utilizar em empresas que têm um estoque menos líquido.

Então, por exemplo, se eu for fazer uma análise de liquidez na Embraer. E a Embraer tem o que no estoque? Aeronaves, peças, componentes de aeronaves.

Gente, esse estoque não é um estoque líquido. A empresa, às vezes, demora anos para fazer vendas de aeronaves.

Então, não dá para a gente considerar que o estoque da Embraer é liquidez, tá? Ou de uma empresa que tenha um estoque dessa natureza, um estoque que não é vendido tão rapidamente.

Então, índice de liquidez seca é adequado nessas situações.

Por último, a gente tem aqui mais para baixo o índice de liquidez imediata. O índice de liquidez imediata pega aquilo que a empresa tem imediatamente de liquidez, ou seja, caixa, equivalentes de caixa e eu costumo usar as aplicações financeiras de curto prazo, algumas vezes, para calcular esse índice.

Não tem uma regra escrita na pedra. Então, você pode utilizar só caixa e equivalentes de caixa ou utilizar, além do caixa e equivalentes de caixa, usar aplicações financeiras de curto prazo. O bom de usar só caixas e equivalentes de caixa é porque, às vezes, algumas empresas têm aplicações financeiras que estão sujeitas a risco de mercado.

Então, a empresa tem fundos de investimento. E eu calculo o índice de liquidez imediata, usando as aplicações financeiras que, entre elas, tem cotas de fundos de investimento.

Aí, quando a empresa precisa de liquidez, a gente vê que o valor dessa cota caiu 30%.

É comum que a cota de um fundo caia 30%? Comum não é! Mas vai dar uma olhada no que aconteceu em cotas de vários fundos de investimento, fundos multimercados, vários tipos de fundos, no primeiro semestre de 2020, durante a crise. Então, isso pode acontecer.

Por isso, você pode calcular o índice do jeito que você quiser.

Ele é seu. Mas eu recomendo que utilize, para calcular liquidez imediata, só caixa e equivalentes de caixa. E aí, você divide pelo passivo circulante. Se deu, por exemplo, 0,8 esse índice.

Como você interpreta?

Quer dizer que, para cada R$ 1,00 de passivo circulante, a empresa tem, no caixa, 0,8. Legal, ela consegue bancar 80% do passivo circulante só com caixa e equivalentes de caixa. Muito bem. Isso é liquidez. Fechado?

Então, usem indicadores sempre com parcimônia, sempre com sapiência, sempre comparando empresas similares em termos de negócio, em termos de porte, na medida do possível.

E nenhum indicador dá uma resposta absoluta. Os indicadores são utilizados para fazer perguntas, não para dar respostas.