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Análise de Liquidez

Publicação
01/01/2016
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Transcrição

Nesse capítulo, nós falaremos um pouco sobre Análise de Liquidez. Qual seria a percepção de liquidez de uma empresa que tivesse um balanço como esse que você está vendo? Ou seja, uma empresa que tivesse "Ativo Circulante" exatamente igual ao "Passivo Circulante". Qual seria a sua interpretação? Lembrando que Ativo Circulante são aqueles ativos que circulam, ou que giram, em um prazo de até doze meses, e Passivo Circulante são aqueles passivos que giram em até doze meses também. E aí, qual foi a sua conclusão? Bom, se você imaginou que essa empresa que tem Ativo Circulante exatamente igual ao Passivo Circulante, se você imaginou que essa empresa faz uma gestão de liquidez perfeita, é totalmente alinhado o Ativo com o Passivo, você se esqueceu de um pequeno detalhe. No Ativo Circulante, que a gente também chama de "Capital de Giro", onde estão aplicados os recursos para o dia a dia da empresa, para o giro da empresa, no Ativo Circulante nós temos incertezas, principalmente quando a gente fala do "Estoque" e do "Contas a Receber". Quer dizer, o "Contas a Receber" pode não ser recebido. O "Estoque" pode não ser vendido, ele pode ser vendido abaixo do preço de custo, ele pode ser perdido, ou mesmo ele pode ser vendido e não recebido. Então a gente tem um monte de riscos em relação ao ativo. Já do lado do Passivo Circulante, a maior parte dos passivos devem ser liquidados. Se a gente pensar um pouquinho sobre eles, o que acontece com uma empresa que não pagar empréstimos e financiamentos de curto prazo? Além de ter custos financeiros maiores, essa empresa provavelmente vai perder a linha de crédito. Uma empresa que não paga fornecedores, provavelmente essa empresa vai perder o fornecimento, ou vai perder condições de compra mais vantajosas que ela tem. Ou uma empresa que não paga salários, por exemplo. A empresa pode ter greve, pode ter um giro dos funcionários maior, e isso implica maiores custos de treinamento também. Então, quando a gente fala de Passivo Circulante, esses passivos, ou a grande parte deles, efetivamente devem ser liquidados em até um ano. Já no Ativo Circulante não. Então, não é uma condição muito confortável um balanço como esse que a gente vê. Agora, uma situação como essa, na qual a gente tem o Ativo Circulante maior que o Passivo Circulante. Aqui dá a entender que essa empresa tem um conforto maior. Essa diferença de Ativo Circulante para Passivo Circulante, que está sinalizada aí na figura com a expressão "Colchão de Liquidez". "Colchão de Liquidez" é o primeiro termo que eu utilizei para falar sobre essa folga financeira, sobre essa diferença de Ativo Circulante e Passivo Circulante, mas existem termos técnicos mais adequados para falar sobre isso. Esses termos são "Capital de Giro Líquido" ou "Capital Circulante Líquido". CGL ou CCL são as siglas normalmente usadas para expressar essa diferença de Ativo Circulante e Passivo Circulante. Essa é uma métrica utilizada para Análise de Liquidez, só que essa métrica não é muito boa porque ela é em números absolutos, então a gente não consegue muito comparar empresas diferentes a partir do Capital de Giro Líquido. Por isso a gente cria índices de liquidez, índices relativos. A gente compara o Ativo Circulante com o Passivo Circulante para saber qual a relação entre eles, e aí a gente começa a ter maior capacidade de comparação entre entidades diferentes, ou da mesma entidade ao longo do tempo. Os principais indicadores de liquidez utilizados pelo mercado nascem desse conceito de Capital de Giro Líquido. Relembrando, o Capital de Giro Líquido é a diferença entre Ativo Circulante e Passivo Circulante. Os Índices de Liquidez. Vamos falar inicialmente do Índice de Liquidez Corrente. O Índice de Liquidez Corrente trabalha exatamente com as duas variáveis que a gente utiliza para calcular o Capital de Giro Líquido, mas ele cria um indicador relativo. Ou seja, ele divide Ativo Circulante por Passivo Circulante, em vez de calcular uma diferença entre os dois. Então, compara um com o outro pra gente saber qual que é a relação do Ativo Circulante com o Passivo Circulante, ou quanto do Ativo Circulante poderia ser utilizado para pagar o Passivo Circulante. O Índice de Liquidez Seca. O Índice de Liquidez Seca considera aquela questão que nós comentamos, que o Ativo Circulante sempre tem ativos com risco. O próprio caixa, que é o ativo mais líquido, ele tem risco. Tem risco de inflação, tem risco de extravio, roubo, vários outros que a gente poderia pensar por aqui. Ou mesmo variação cambial, se for um caixa em moeda estrangeira. Mas, desses ativos que ficam no Ativo Circulante, provavelmente o Estoque é o ativo com maior risco. Por quê? O Estoque, ele tem risco de não ser vendido, ele tem risco de ser vendido por um preço abaixo do preço de mercado ou mesmo abaixo do custo, ele tem risco de incêndio, de qualquer outro tipo de acidente, e ainda tem o risco de ser vendido e de não performar, de não ser recebido. Então, o Índice de Liquidez Seca é um pouco mais conservador que o de Liquidez Corrente. Ele faz o quê? Ele apenas tira os Estoques de dentro do valor do Ativo Circulante, para saber se o que sobra no Ativo Circulante ainda é suficiente para honrar com o Passivo Circulante. Então, a gente vai trabalhar com esses indicadores para saber quanto dos passivos de curto prazo podem ser liquidados com recursos de Ativo Circulante, de Disponibilidades. Um outro indicador, o último indicador que a gente vai utilizar aqui de liquidez, ele está dividindo "Disponibilidades" pelo "Passivo Circulante". "Disponibilidades" é aquilo que há de mais líquido no Passivo Circulante, como caixa, como as aplicações financeiras de curto prazo, isso que a gente chama de "Disponibilidades". Esse indicador se chama Índice de Liquidez Imediata, e ele tem esse nome porque a gente quer saber o seguinte: agora, nesta data de balanço, se nós quisermos saber neste momento o quanto que a empresa tem para bancar com seus passivos, quanto ela tem de recursos disponíveis. Então, a gente faz essa relação para saber imediatamente qual é a liquidez da empresa em relação ao Passivo Circulante. Muito bem, vamos voltar aqui a olhar números da Lojas Renner, aquele balanço, aquelas demonstrações financeiras que nós baixamos no início desse curso. Se a gente for calcular o Índice de Liquidez Corrente, por exemplo, o que a gente vai precisar? Basicamente o Ativo Circulante, que nesta tabela está sinalizado em amarelo, mais acima à direita, e o Passivo Circulante, que está lá abaixo sinalizado em amarelo também. Se a gente for calcular, por exemplo, o Índice de Liquidez Seca, aquele que é um pouquinho mais conservador, o que a gente vai fazer? A gente vai pegar o Ativo Circulante, vamos excluir esse número que está destacado aí no bloco de cima também, no bloco dos Ativos, que são os Estoques, esse 782.266, a gente vai excluir ele do Ativo Circulante e vamos dividir esse número pelo Passivo Circulante. Por último, o Índice de Liquidez Imediata, nós vamos pegar essa conta de Caixa e Equivalentes de Caixa. Então, dentro de Equivalentes de Caixa, a gente deve ter algumas aplicações financeiras de curtíssimo prazo, normalmente aplicações que vencem em até três meses. Então vamos pegar esse número e vamos dividi-lo pelo Passivo Circulante. Esses números já estão aí calculados. Então o Capital de Giro Líquido é um Capital de Giro Líquido positivo. O Índice de Liquidez Corrente deu 1.40. Como é que a gente faz a leitura desse índice? Um índice maior do que 1, normalmente a literatura de análise de demonstrações financeiras diz que esse é um bom número. Diz que os Índices de Liquidez têm que ser superiores a 1. Normalmente, está se referindo ao Índice de Liquidez Corrente, que ele deve ser maior do que 1. Isso é uma referência geral, isso é uma coisa teórica. Na prática, cada empresa tem necessidades diferentes, e cada setor tem indicadores de liquidez e de alavancagem, tem necessidades de liquidez e de alavancagem diferentes. Então, se você trabalha num banco, esse banco trabalha com várias empresas do mesmo setor, então ele acaba descobrindo "qual que é a média do setor de moda varejo?", "qual que é a média para o Índice de Liquidez Corrente para o setor de varejo farmacêutico?", "qual que é a média para o Índice de Liquidez Corrente para uma indústria química?". Então, a gente trabalha com esses indicadores de forma comparativa. Não existe um número de liquidez mágico, não existem indicadores mágicos normalmente. Mas como é que a gente pode fazer a leitura desse índice, 1.40? Se a gente comparou Ativo Circulante com Passivo Circulante, quer dizer que, para cada R$ 1,00 no Passivo Circulante, a Lojas Renner, nesse período que nós estamos analisando, tem 1.40 no Ativo. Isso costuma ser um bom Índice de Liquidez Corrente, um número razoável. Se a gente comparar com outras empresas do setor da Lojas Renner, a gente vai ver, provavelmente, números parecidos. O Índice de Liquidez Seca tá em 1.13. Como é que a gente faz a leitura desse índice? Sempre é importante a gente pensar nisso, como é que a gente faz a leitura do índice. Se você não conhece algum índice, é importante você ver como que ele é calculado e pensar sobre isso, para ter alguma conclusão de como interpretar, como fazer a leitura do índice. Então, um Índice de Liquidez Seca de 1.13 significa que, mesmo desconsiderando todo o Estoque, que foi o que nós fizemos aqui, nós descontamos do Ativo Circulante 100% do Estoque. Então, mesmo desconsiderando o Estoque, essa empresa tem 1.13 de Ativo Circulante para cada R$ 1,00 que ela tem no Passivo Circulante. Então, uma condição de liquidez bastante tranquila, aparentemente. Por último, nós temos um Índice de Liquidez Imediata de 0.31. Significa o quê? Que, para cada 1 no Passivo Circulante, essa empresa tem, em caixa, 0.31. Ela tem. então, 31%, aproximadamente, de caixa para cada Passivo Circulante que ela tem. É assim que a gente faz a leitura desse indicador. Mais para a frente a gente vai falar um pouquinho sobre prazos médios, e os prazos médios podem, em algumas situações, fazer com que a gente mude a nossa opinião em relação a Índices de Liquidez. Mas a gente fala sobre isso um pouquinho mais para a frente.


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