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Estratégias com Opções - Estratégias com Opções

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20/10/2020
Berenice Righi Damke
Especialista em Gestão de Riscos Financeiros e Derivativos

Este vídeo é sobre estratégias com opções. Há diversas estratégias com opções. As que nós vamos aprender aqui são muito usadas para fins de hedge.

Antes da gente começar a falar especificamente das estratégias, vale lembrar que elas têm a ver com a influência que o strike e a mudança desse strike quando comparado a um futuro de referência tem no prêmio de cada opção. Influenciam no prêmio esta relação entre o strike e o forward, o prazo da operação, a taxa de juros... Por quê?

Ela define o custo do dinheiro na economia, então quanto mais longo o prazo da nossa opção, quanto maior a taxa de juros, mais cara ela fica. Além disso, também claro, importa como está o spot e essa relação entre o spot e o futuro também afeta o prêmio da opção.

E por fim, um elemento determinante neste custo é a volatilidade. Que, numa métrica muito simples, pode ser pensada como o desvio padrão do preço desse ativo-objeto em relação à sua match.

Existem algumas maneiras um pouco mais elaboradas de fazer essa mensuração, mas lembra então que a volatilidade é o quanto esse preço sobe e desce, quanto mais ele sobe e desce, se estivermos vivendo, por exemplo, um momento crise em que há muita volatilidade, certamente esses prêmios de opção ficam mais caros.

O modelo mais usado no mercado para fazer essa precificação é o modelo de Black & Scholes. Há algumas sugestões de melhorias aí ao longo dos anos, mas ele ainda é o preferido dos traders.

Falando então das opções, quando nós montamos essas estratégias, nós juntamos normalmente uma call e uma put ou duas calls e duas puts, mas sempre tentando combiná-las de forma a por um lado produzir um resultado no vencimento que traga aquele hedge, aquela proteção contra a alta ou contra a baixa da taxa de câmbio e, de preferência, que não custe muito caro.

Então, normalmente nós compramos uma opção e vendemos outra tentando reduzir o custo de prêmios. Por outro lado, quando nós vendemos a opção, vamos lembrar que nós podemos ser exercidos e assim sendo, na prática, no vencimento, o que acontece é que nós limitamos o intervalo em que a gente pode receber os ajustes positivos.

Porque quase sempre nessas combinações, nós temos um certo nível dentro do qual nós recebemos e, a partir dali, a opção vendida dá exercício e acaba havendo um encontro de contas em que numa opção eu recebo e na outra eu pago de tal forma que o meu resultado positivo fica limitado.

Portanto, essas estratégias, como o call spread e o put spread, elas são também estratégias em que eu me protejo da alta ou da baixa da taxa de câmbio, respectivamente, mas eu acabo aceitando limitador de quanto recebo na alta ou na baixa, porque eu vendi uma opção.

Mas é claro que ao fazer essa estratégia, eu também teria um custo menor do que eu tinha quando eu só comprei a call ou quando eu só comprei a put.

E nesse caso, então, nós normalmente trabalhamos com calls e puts que são dentro e fora do dinheiro, justamente para tentar assim chegar a um equilíbrio em que por um lado a gente não paga muito caro e, por outro lado, a gente no vencimento tenha um intervalo para receber esses ajustes dispositivos que sejam compatíveis com o nível de taxa de câmbio dentro da qual a gente quer ficar protegidos.

Então, aproveitando, por exemplo, aquela situação que falamos da call em que a gente fixou a taxa de câmbio a R$5,40 por dólar, ali nós poderemos comprar aquela call a R$5,40 e vender uma outra call, por exemplo, a R$6.

Essa call a R$6 é o que a gente chama de fora do dinheiro, o câmbio precisa subir muito mais para dar exercício nessa call. E, portanto, o prêmio da call a R$6 também é um prêmio menor do que o da call a R$5,40. Eu compro a R$5,40, pago por ele, por exemplo, R$40 e vendo a call de R$6 e por ela eu recebo, por exemplo, R$20.

Então, do ponto de vista líquido, eu paguei R$40 e recebi R$20, ou seja, gastei metade do que eu tinha gasto lá comprando só uma call pura. Por outro lado, no vencimento, se houver uma alta taxa de câmbio, eu exerço minha call acima de R$5,40, recebo essa alta... Mas se o câmbio bater R$6, a call que eu vendi será exercida e nesse caso eu teria que pagar.

E aí há um encontro de contas, porque eu pago na call que eu vendi, recebo na call que eu comprei e assim eu fico com o recebimento positivo até R$6. Eu acabo limitando o meu intervalo de receber ajustes positivos a R$6 por dólar.

Essa é a ideia de fazer essas travas. Se for uma trava de baixa, a lógica é similar, só que aí você negocia duas puts, em que uma delas faz um limitador para o valor que você tem a receber no movimento de baixa da taxa de câmbio.

Bem, essas estruturas chamadas call spread ou trava de alta, e put spread ou trava de baixa, seguidamente aparecem nas demonstrações financeiras e nas estratégias de hedge das companhias listadas.

Aqui, neste curso, nós discutiremos algumas delas que aparecem em demonstrações financeiras do ano de 2020, publicadas pelas empresas brasileiras. Uma que ficou bastante famosa e apareceu de maneira recorrente no primeiro semestre de 2020 é essa estratégia chamada de Collar.

E muitas empresas conseguiram fazê-la a custo zero, fizeram o Zero Cost Collar. E este Collar nada mais é do que a combinação de duas opções em que a empresa compra uma e vende outra. Só que nesse caso, se combinam uma call e uma put.

Manda na estratégia a opção que é comprada. Então, se você compra uma call e vende uma put é a mesma coisa que estar comprando em dólar. Ao passo que quando você compra uma put e vende uma call é a mesma coisa que estar vendido em dólar.

Nessa estratégia que foi usada por companhias como Suzano, que nós comentaremos neste curso pouco mais à frente, depois de falarmos de SWAP... Neste caso, Suzano usou Zero Cost com o objetivo de se proteger de uma baixa da taxa de câmbio, porque ela é uma companhia exportadora. E ao invés de fazer uma venda de NDF pura e simples, ela preferiu o Zero Cost, porque aí ela ficou com um intervalo de taxas de câmbio.

E dessa forma, se o câmbio ficasse abaixo de um nível que ela travou, ela receberia, e se ficasse acima de um outro nível travado, ela pagaria o ajuste. Ou seja, essa estrutura tem uma lógica parecida com a NDF, só que ao invés de nós termos uma única taxa de câmbio para administrar, aqui nós temos duas, que são: os strikes da call e da put, fechadas nessa estrutura de Zero Cost.

Aqui eu trouxe um exemplo de Collar. Nesse caso, supondo que nós compramos uma call a R$4,40 por dólar e pagamos por ela um prêmio de R$45 a cada US$1.000. E nós temos uma estrutura que então fazemos uma put. E nessa put, negociada a R$4 por dólar, o seu strike, o prêmio é de R$30 a cada US$1.000 dólares.

Veja aqui como eu vendi essa put, esse prêmio eu recebo, e como eu comprei a call, eu pago os R$45. Ou seja, este exemplo que vocês estão olhando aqui não é um Zero Cost, por quê? Porque o prêmio não tem soma zero.

A soma deste prêmio será um valor a pagar, porque o prêmio da call é maior do que o da put. Tudo bem... Ainda assim, essa estrutura é chamada de Collar e, nesse caso, como a companhia compra call é uma compra de Collar, ou seja, a companhia fica comprada em dólar e ela pode usar esse tipo de estratégia para fazer uma proteção contra a alta da taxa de câmbio.

Então, eu te convido a usar um pouquinho mais aquelas planilhas que dividi com você para montar essa estratégia e ver como é que fica esse gráfico. Nós teremos a oportunidade aqui no curso de discutir um pouco mais essa estratégia, ver o gráfico e entender ainda mais sobre o Collar lá quando falarmos da estratégia usada pela Suzano.

Vamos lembrar, então, que isso é uma alternativa ao NDF e tem sido preferida pelas companhias quando percebemos um aumento significativo de volatilidade na taxa de câmbio. Por quê? Porque ela acaba fazendo um intervalo, que é justamente o intervalo dentro dos strikes, no caso aqui do meu exemplo, esse intervalo entre R$4 e R$4,90 por dólar é um intervalo que nada acontece, a companhia nem paga e nem recebe.

Então, acaba sendo um espaço para amortecer alguma volatilidade maior que aconteceu no mercado. E nesse meu exemplo, a companhia passaria a exercer essa call e recebendo ajustes positivos quando o câmbio fica acima de R$4,90... E quando o câmbio fica abaixo de R$4, ela será exercida nessa put e terá que pagar.

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