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Contabilidade para Investidores - Geração de caixa - Dívida líquida / EBITDA

Publicação
30/09/2020
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Transcrição

Nós vamos falar de um assunto bastante importante para os investidores: Dívida Líquida/EBITDA. Bom, algumas pessoas chamam esse índice de Índice de Alavancagem. Eu não gosto de chamar ele de Índice de Alavancagem porque existem vários outros índices que a gente também chama de alavancagem. Por exemplo: alavancagem operacional, grau de alavancagem financeira, alavancagem da estrutura de capital, alavancagem do lucro líquido. Existe uma série de significados para esta palavrinha "alavancagem", então é muito mais simples a gente simplesmente falar que estamos usando o índice Dívida Líquida/EBITDA. Falou Dívida Líquida/EBITDA, todo mundo sabe do que se trata. Muito bem! Então, para a gente falar sobre esse indicador, nós precisamos lembrar de alguns outros indicadores, de alguns outros componentes desse indicador. Primeira coisa, vamos lembrar do EBITDA. EBITDA é o EBIT, o resultado antes dos impostos e dos juros, e somado com a depreciação, amortização. Por que eu estou somando com depreciação e amortização? Porque eu quero uma métrica de geração de caixa ou potencial geração de caixa. EBITDA não é caixa. Você quer saber qual é o caixa da empresa, vai olhar a demonstração de fluxo de caixa. Quer saber qual é o caixa da operação, vai olhar na DFC o fluxo de caixa das atividades operacionais. Não é o EBITDA, tá bom? Então, EBITDA é o potencial de geração de caixa das operações. Aí a gente parte do EBIT, que muitos analistas dizem que o EBIT é o resultado operacional. É uma métrica, é uma das métricas de resultado operacional. E a gente exclui a depreciação. Como a depreciação é um valor negativo na DRE, a gente soma depreciação e amortização, que são itens que não afetaram o caixa do período. Legal. Então, este é EBIT, potencial de geração de caixa, em um período. Em um período porque normalmente a gente anualiza os resultados para fazer as nossas análises. E o que é dívida ou dívida bruta? Dívida bruta eu costumo usar com o seguinte significado: ele é a soma de empréstimos, financiamentos, títulos emitidos. Todos os passivos onerosos. Eu coloquei no slide aqui: empréstimos, financiamentos e similares. Então, dívida são todos os passivos onerosos, aquilo que tem custo, aquilo que a empresa paga, juros e correção. Então esses são os passivos que a gente chama de dívida ou dívida bruta. E aí, a partir desse conceito, a gente tem a dívida líquida. A dívida líquida é a dívida bruta menos o caixa. Bom, eu coloquei um asterisco aqui: caixa*. Dívida bruta menos caixa, então não é só caixa. A dívida líquida é a dívida menos o caixa e equivalentes de caixa, que são aquelas aplicações de curtíssimo prazo, até 90 dias, normalmente. O que mais? Na prática, muitas empresas calculam dívida líquida excluindo as aplicações financeiras de curto prazo também. Não só essas de 90 dias, não só os equivalentes de caixa, mas excluindo as aplicações financeiras de curto prazo. Bom, o indicador é meu, então eu calculo do jeito que eu quiser, certo? Eu, como analista, posso usar os indicadores da forma que eu melhor entender, da forma que eu achar que eles refletem melhor as minhas análises, as conclusões que eu preciso tirar. O importante é a gente entender o significado e importante, mais ainda, a gente ter comparabilidade. Então, se eu for comparar dívida líquida de duas empresas diferentes ou da mesma empresa em períodos diferentes, tem que usar o mesmo critério. Eu não vou comparar a Gol e a Azul tirando as aplicações financeiras da dívida líquida da Gol e não tirando da Azul. Ou eu tiro das duas, ou eu não tiro de nenhuma, beleza? Então estamos entendidos. A dívida líquida é a dívida menos o caixa e algumas coisinhas a mais, tá bom? E aí, sim, a gente chega no índice Dívida Líquida/EBITDA. Dívida Líquida/EBITDA, a gente vai pegar a dívida que a gente já excluiu, o caixa e os equivalentes de caixa, e estamos dividindo pelo potencial de geração de caixa operacional de um ano. Beleza. Vamos supor que eu fiz essa continha e deu 3,0. A dívida líquida dividido pelo EBITDA deu 3,0. Como é que a gente lê essa informação? A gente gosta de ler essa informação mais ou menos assim: se a dívida líquida da empresa é três vezes maior do que o potencial de geração de caixa de um ano, então essa empresa demoraria aproximadamente três anos para quitar toda a sua dívida, se ela usasse todo o caixa e o potencial de geração de caixa para fazer isso. Então, se por hipótese essa empresa fosse quitar a sua dívida, ela demoraria próximo de três anos. Claro, isso aqui a gente calcula o índice não é porque a empresa vai liquidar a sua dívida, ela vai acabar com a sua dívida. Não. É para a gente ter comparação, para a gente ter uma ideia de capacidade de pagamento de dívida. Então isso é bastante importante. Para a gente ter ideia de capacidade de pagamento da dívida, a gente calcula o índice Dívida Líquida/EBITDA. Um parâmetro bastante usado no mercado internacional para falar de empresas que têm grau de investimento é 2,5. Então, uma empresa com grau de investimento em geral tem esse índice Dívida Líquida/EBITDA no máximo de 2,5. Mas, obviamente, a gente não pode ficar comparando empresas muito diferentes. Não faz sentido algum eu comparar uma empresa de infraestrutura que tem bastante dívida, que no seu negócio faz parte tomar dívida... Não faz sentido eu comparar essa empresa com uma empresa de tecnologia, que muitas vezes toma mais dinheiro por capital próprio, com fundos de investimento, Venture Capitals ou investidores anjo. Não faz sentido eu comparar empresas de setores diferentes, nem em termos de dívida, nem em termos de qualquer indicador. Mas aqui, em relação à Dívida Líquida/EBITDA, eu estou chamando a atenção para isso de novo porque existem alguns parâmetros de mercado que são meio travadinhos, meio limitados, tipo essa questão do 2,5. Às vezes tem algumas linhas de crédito de agências de fomento, de banco de desenvolvimento ou de bancos privados mesmo, que colocam: para eu dar empréstimo para uma empresa de determinado segmento, a empresa tem que ter, no máximo, Dívida Líquida/EBITDA de x, no máximo 3. São parâmetros que são usados para análise, mas a gente tem que tomar cuidado com esses indicadores que colocam todas as empresas na mesma régua. Em termos de performance, não dá para a gente comparar assim. Em termos de parâmetro, se eu coloquei esse parâmetro como um máximo para eu conceder crédito, para eu fazer um investimento, não tem problema. De novo, o indicador é seu, você usa do jeito que você quiser. Mas em termos de performance, não dá para a gente colocar um parâmetro único e falar que uma empresa é melhor ou pior que a outra por causa deste parâmetro único. Muito bem! Este foi o Dívida Líquida/EBITDA. Agora, eu queria te lançar um desafio. Pega uma empresa que você está analisando, ou alguma que a gente analisou aqui no curso, calcula Dívida Líquida/EBITDA dessa empresa. Calcula com base nas demonstrações contábeis dela e depois compara com os números que a empresa pública. Vê lá se a empresa publicou no site de RI, ou algum outro lugar, o índice Dívida Líquida/EBITDA. Não vai ficar chateado se não bater. O que é legal? Você fazer o seu cálculo, compara com o número da empresa e aí vai procurar ali... Normalmente, quando a empresa coloca algum indicador no site de RI, ela dá alguma explicaçãozinha de como foi calculado o indicador. E aí você vê se tem alguma diferença entre o índice que você calculou e o que a empresa calculou, para entender quais as diferenças, o que ela considerou ou não considerou na conta.


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