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Análise da DFC

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01/01/2016
Eric Barreto
Partner e Prof. do Insper

Neste capítulo, nós vamos fazer uma análise da Demonstração dos Fluxos de Caixa, a DFC.

Primeiro, a partir de um balanço patrimonial, com alguns agrupamentos que a gente já viu. Quebramos o Ativo Circulante aí em Ativo Circulante Operacional e Financeiro, quebramos o Passivo Circulante também em Operacional e Financeiro. Se a gente simplesmente replicar aquela igualdade, todo mundo sabe, até por estar neste momento, já mais avançado do curso, que Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido.

Se a gente abrir o ativo em Ativo Circulante e Ativo Não Circulante, e se a gente quebrar o passivo em Passivo Circulante e Passivo Não Circulante, a gente chega nessa expressãozinha que está aí projetada. A soma de Ativo Circulante com Ativo Não Circulante é igual a soma de Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido.

Colocando essa abertura a mais, que a gente fez aí no ativo e no passivo circulante, fazendo essa segmentação, a gente tem o que? Ativo Circulante Operacional + Ativo Circulante Financeiro + Ativo Não Circulante = Passivo Circulante Operacional + Passivo Circulante Financeiro + Passivo Não Circulante + Patrimônio Líquido.

E aí a gente vai utilizar essa observação que está destacada em amarelo: "O Ativo Circulante é formado por Caixa e Aplicações Financeiras.". Então, para simplificar aqui nessa explicação, a gente vai chamar ele simplesmente de Caixa (Cx). Chamamos ele de caixa e invertemos essa equação. A gente isolou a variável Caixa, que antes era o Ativo Circulante Financeiro, isolamos ele à esquerda, e colocamos todas as outras variáveis à direita dessa expressão.

E por que fizemos isso? Porque se o caixa é explicado por esta equação, se a gente quiser explicar variações no caixa, ela pode ser explicada pela variação em todos os outros itens do balanço: variação no Passivo Circulante Operacional, Ativo Circulante Operacional, Passivo Circulante Financeiro, Passivo Não Circulante, Patrimônio Líquido e Ativo Não Circulante.

Então, a Demonstração dos Fluxos de Caixa toma como base essa expressão, ela agrupa os fluxos de caixa em três bloquinhos, para facilitar análise, e tem como base essa expressãozinha. Então a gente cria três grandes blocos na Demonstração dos Fluxos de Caixa: o Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais, o Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento e o Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento.

Pegando, de novo, aquela expressãozinha e agrupando aqui. O que é operacional, a gente pintou aí na cor verde. O que é financiamento, os Passivos Não Circulantes, o Patrimônio Líquido e o Passivo Circulante Financeiro, a gente pintou de laranja, eles são as fontes de financiamento. E o Ativo Não Circulante, que são os investimentos de longo prazo, está em Preto. Então cada um desses bloquinhos estão associados aos grandes blocos da Demonstração dos Fluxos de Caixa.

Três grandes blocos da Demonstração de Fluxos de Caixa: Fluxo de Caixa das Operações, Fluxo dos Financiamentos e Fluxo dos Investimentos.

Temos aí então um pedaço da DFC das lojas Renner, um pedaço que é só a parte operacional. O Fluxo de Caixa das Operações começa lá em cima, pelo lucro líquido do período. O lucro líquido foi calculado sobre regime de competência. Então, o primeiro desafio dessa demonstração é o que a gente chama de método indireto. Indireto porque parte do lucro, que é regime de competência, e a gente transforma... os contadores transformam o lucro em caixa.

Então, esse primeiro bloco da DFC tem ajustes de itens que afetaram o lucro, mas não afetataram o Caixa do período. Isso está aqui nesse bloco 6.01.01. Por exemplo, vamos pegar aqui a primeira linha, que é o lucro do período. O lucro do período foi afetado pelas depreciações e as depreciações reduziram o lucro, concordam?Muito bem. Se ele reduziu o lucro e eu quero tirar o efeito da depreciação, então a depreciação tem um sinal positivo aqui na DFC.

Vamos pegar algum outro exemplo. Vamos pegar aqui a linha 6.01.01.11, que é a de variação cambial. A variação cambial, neste período de 2016, teve um impacto positivo no Caixa de 86. "Ah, o que significa isso, impacto positivo no caixa? Quer dizer que esse número estava computado no lucro como uma despesa, era um número negativo no lucro.

E aqui a gente está ajustando essa variação cambial, revertendo-a, porque estamos transformando o lucro em Caixa Operacional. Então o primeiro bloquinho da DFC faz isso.

O segundo bloquinho, 6.01.02, tem variações em contas de ativos e passivos operacionais. Por exemplo, se a gente olha no balanço e o estoque aumenta de um período para outro, a empresa investiu mais em estoque. Qual é o impacto no Caixa?

Mais estoque quer dizer menos Caixa, porque a empresa tem que investir em estoque. A mesma coisa se a gente falar de contas a receber. Se a empresa demora mais para receber, ela tem mais contas a receber e, consequentemente, menos Caixa. Então isso vale para todos os ativos. Quando temos mais ativos operacionais, a gente tem menos Caixa; quando temos menos ativos operacionais, a gente tem um impacto positivo no Caixa.

Para passivos, vale o inverso. Por exemplo, se a conta de fornecedores aumentou de um período para o outro, eu olhei no balanço e notei que o saldo de fornecedores aumentou. Isso quer dizer que a empresa está se financiando mais com fornecedores, está postergando pagamento. Então, um aumento do passivo significa também aumento no Caixa. Tem este Impacto.

E como é que a gente interpreta o fluxo de caixa das operações? Normalmente, a gente espera que o sinal dele seja positivo ou negativo? Positivo, não é? Como ele é guiado pelo lucro, a gente espera que empresa dê lucro, que a operação gere caixa positivo.

Mas se uma empresa tiver gerando caixa operacional muito pequeno ou negativo, isso não necessariamente é um problema. Pode acontecer o seguinte. A empresa está gerando caixa operacional negativo porque ela é uma Startup, começando suas operações; ou porque ela está crescendo muito, e uma empresa que cresce muito precisa investir em estoque e em outros ativos operacionais, ela precisa investir em contas a receber, dar prazo para os clientes pagarem. E isso consome Caixa.

Nas Lojas Renner, a gente tem um Caixa... uma geração de Caixa bastante positiva. Seria legal a gente ter o EBITDA, que a gente calculou em capítulos anteriores, para comparar com esse Caixa. Porque o EBITDA é o potencial de Caixa gerado pela operação. Então, ao ver esse Caixa líquido aqui de 914, a gente vai ver se essa empresa aqui que tinha um potencial de Caixa "x" e se ela converteu esse potencial em Caixa efetivo.

Então essa comparação já é bem bacana. Mas, aparentemente, a empresa gerou um caixa operacional positivo. Isso, por si, já é um bom sinal. Positivo, crescente em relação a períodos anteriores, maior do que o lucro.

Vamos então olhar para o Fluxo de Caixa de Investimentos. Quando ele é negativo, como no caso das Lojas Renner, significa o que? Significa que a empresa está investindo. A gente vê a composição dos investimentos dela e está lá: aquisição de ativo imobilizado, aquisição de ativo intangível.

Então, aparentemente a empresa está investindo. Aparentemente por quê? Porque a gente precisa saber se esse valor é relevante para a empresa. Eu quero saber o seguinte. Se a empresa está investindo de verdade, se isso é investimento em expansão ou se esse investimento simplesmente está repondo ativos desgastados.

Pense comigo. Qual é o número na contabilidade que reflete desgaste de ativo? Mais propriamente, desgaste de ativo imobilizado e de ativo intangível? Se você pensou na depreciação, você está certo.

Vamos voltar na tela anterior. Na linha 6.01.01.02, nós temos depreciações e amortizações. As depreciações e amortizações, em 2016, somam 311.261 e a empresa está investindo 476, praticamente 50% acima do desgaste dos ativos.

Então a empresa, de fato, está investindo, ela tem uma expansão nesse período, apesar de os investimentos em 2016 estarem menores do que os de 2015. Estão mais ou menos na mesma ordem de grandeza dos de 2014.

Provavelmente isso é explicado pelo momento de crise do ano de 2016. As empresas, em geral, não estão expandindo. Empresas de varejo, muitas delas até encolheram. Lojas Renner não está investindo tanto quanto nos outros anos, mas continua investindo. Então isso também é um ponto positivo aqui para nossa análise.

E aí, por último, a gente tem o Caixa das atividades de financiamento. Esse fluxo de caixa, não dá pra gente dizer se ele é bom ou ruim. O que dá pra dizer é que o Fluxo de Caixa de Financiamento é quem fecha a conta. Se a operação gera mais Caixa do que a empresa consome com investimentos, está sobrando Caixa para empresa pagar empréstimos, está sobrando Caixa para a empresa distribuir dividendos.

Não é o caso aqui das lojas Renner? A gente viu... Vamos olhar de novo. Lá em cima, caixa líquido das atividades operacionais, em 2016, está em 914. Desses 914, ela consumiu com investimentos 476.917. Então sobrou bastante aí.

A empresa tomou novos empréstimos, de 216.038, mas ela pagou mais empréstimos do que tomou. Ela pagou 263.024. A empresa teve um aumento de capital social, está aí um valor positivo de 42.244, um fluxo de caixa positivo. Mas, por outro lado, ela pagou 240.448 de Juros sobre Capital Próprio e Dividendos.

Então a empresa está remunerando os acionistas, está remunerando terceiros, está aproveitando o que está sobrando Fluxo de Caixa Operacional, em relação aos investimentos que ela teve que fazer. Está remunerando os acionistas e os investidores, os financiadores. Então, normalmente, a gente faz esse tipo de análise de Demonstração de Fluxo de Caixa, uma análise em blocos.

Só para fechar a Demonstração de Fluxo de Caixa das Lojas Renner, a soma dos três bloquinhos com a variação cambial sobre o Caixa... Ela é o aumento ou redução da conta Caixa e equivalentes no período.

Então, se a gente pegar o saldo de Caixa no início de um período e o saldo de caixa no final do período, a variação do Caixa é, justamente, a soma dos três bloquinhos mais esta variação cambial sobre Caixa e equivalentes.

Mais um vez, vamos apresentar aí a sessão Sopa de Letrinhas para que você faça a leitura e faça suas anotações, suas reflexões.