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Você está manipulando seu balanço?

Como as manipulações contábeis podem ser detectadas nas análises de balanço.


Você está manipulando seu balanço?
Eric Barreto
Eric Barreto
Professor do Insper e diretor da M2M

11/01/2015

Recentemente, conversando com um amigo, empresário, falei sobre minha maior paixão no âmbito profissional: conduzir aulas de análise de demonstrações contábeis. Educadamente, ele disse que a contabilidade não é uma fonte de informação confiável, pois quase todo mundo manipula seus balanços e resultados, ou para pagar menos tributos ou para conseguir empréstimo em um banco, por exemplo.

Expliquei para ele que os usuários da contabilidade sabem disso, e talvez saibam até mais do que os próprios contadores. Isso porque esses analistas partem de uma informação resumida, padronizada, e a partir delas elaboram perguntas e tomam decisões.

Nos meus cursos de análise de balanço tento mostrar que as demonstrações contábeis devem ter coerência com o negócio da entidade. Quero dizer, se você atua em um segmento que paga em 40 dias, recebe em 30 dias e estoca 15 dias, em média, a contabilidade deve “falar” esses números. Se o giro do seu segmento é de 2,0 vezes o valor dos ativos, o analista vai desconfiar quando perceber que só a sua empresa gira 3,0 vezes o ativo. Se a margem média do seu segmento é de 10%, o analista vai estranhar a sua margem de 15%. Os prazos médios, a necessidade de capital de giro, a liquidez, a margem, o giro, a alavancagem, a rentabilidade... tudo, absolutamente tudo está interligado e deve ter coerência com o negócio da entidade.

Com isso, não quero dizer que a contabilidade está imune às manipulações. Muito pelo contrário. Também não estou dizendo que um bom analista consegue detectar fraudes a partir das demonstrações contábeis de uma empresa.

O ponto crucial é o seguinte: alguém analisa as demonstrações financeiras de uma entidade para decidir se concede crédito ou não, se investe recursos ou não, e por qual taxa de retorno esse investimento valeria a pena. Assim, ao encontrar incoerências, o analista financeiro vai elaborar perguntas para a entidade. Quando essas incoerências não são bem explicadas, as dúvidas são precificadas. Como? Ou a entidade não vai conseguir os recursos pleiteados ou irá obtê-los a um custo mais alto.

É nessa linha que as demonstrações financeiras apoiam a análise de crédito ou a avaliação de empresas: criando uma linha de argumentação, mostrando caminhos e fazendo surgir perguntas. Se você está manipulando seu balanço, pense bem. Mesmo sem perceber, as dúvidas geradas podem estar aumentando o custo do dinheiro.

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