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3 motivos para você estudar a partir de contraexemplos

Artigo de Eric Barreto, professor do Insper e diretor da M2M, discute uma estratégia de aprendizagem a partir de maus exemplos.


3 motivos para você estudar a partir de contraexemplos
Eric Barreto
Eric Barreto
Professor do Insper e diretor da M2M

08/03/2014

Nos últimos meses, tenho me debruçado sobre casos interessantes, de empresas como Enron, WorldCom e Lehman Brothers, e também sobre algumas histórias brasileiras, como as dos Bancos Panamericano e Cruzeiro do Sul.

Por que estudar essas empresas, se elas se provaram como maus exemplos, em termos de gestão e de ética? Eis aqui os meus motivos.

Primeiro: porque é muito melhor aprender com os erros dos outros do que com os próprios.
Segundo: para entender mais sobre o ser humano, uma vez que essas empresas foram referências nas suas áreas de atuação, produziram bem e conseguiram lugar de destaque. Em geral, possuíam equipes qualificadas para conduzir o negócio, porém, o desejo de ser grande ou de manter sua posição de destaque conduziu-os a um caminho de erro/ fraude.
Terceiro: para evitar novos casos de erro/ fraude ou para tentar identifica-los.
Em todos esses casos, a contabilidade foi utilizada para fins contrários à sua finalidade. Em vez de informar, ajudou a encobrir situações financeiras mais delicadas.

No caso da Enron, a empresa criou sociedades de propósito específico (SPEs) para esconder ativos problemáticos e dívidas, e ainda para turbinar suas receitas, uma vez que a Enron transacionava com as SPEs. A motivação da Enron era manter o valor das ações em alta. A direção da companhia, ao mesmo tempo que incentivava terceiros e até mesmo funcionários de menor escalão a comprar ações da companhia, vendia suas participações e realizava lucros milionários. E para citar um caso brasileiro, vamos lembrar do Banco Cruzeiro do Sul, que reportava uma carteira de crédito muito maior do que possuía. Com isso, aparentava lucros maiores dos que realmente eram gerados, e para completar, distribuía generosos dividendos, em um movimento que tirou liquidez do Banco nos períodos imediatamente anteriores à intervenção do Banco Central do Brasil.

Existe uma linha de estudo que defende a aprendizagem através do contraexemplo, ou seja, através de casos que contrariam uma regra. Particularmente, sou a favor dessa corrente. Existem diversas maneiras de ensinar e de aprender, e o contraexemplo, além de partir de casos potencialmente mais interessantes, obrigatoriamente faz o aluno pensar.

E se uma escola de negócios se propusesse a ensinar através de contraexemplos, você gostaria de experimentar seus serviços? Em vez de colocar foco nos 95% de casos normais, focaríamos naqueles 5% que deram muito certo ou muito errado, como o chamado “cisne negro”, proposto por Nassim Taleb. Em vez de organização, ensinaríamos o caos. Conhecendo melhor as situações problemáticas, as pessoas naturalmente estariam mais preparadas para os pequenos problemas.

Vamos partir para ação? Proponha um treinamento através de contraexemplo na empresa em que você trabalha. Se for um treinamento em contabilidade ou finanças, conte com os serviços da M2M Escola de Negócios.