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Petrobras encara desafios do mercado

Para matéria do Estadão, Prof. Eric Barreto, do Insper e M2M, fala sobre a queda do valor de mercado e perspectivas em relação aos futuros balanços da Petrobras.


Petrobras encara desafios do mercado
O Estado de S. Paulo
O Estado de S. Paulo

06/12/2014

A mudança no mercado global do petróleo traz incertezas sobre o volume de investimentos da Petrobrás no médio prazo.Num primeiro momento, aqueda de preços melhora as operações da área de abastecimento,que acumulava perdas há cinco anos.O tamanho do alívio – as consequentes adequações no plano de negócios da companhia – só será conhecido quando finalmente a companhia apresentar seus dados financeiros atualizados, previstos para a próxima sexta-feira.

Responsável pela produção e comércio de combustíveis, a área de abastecimento poderá ter resultado positivo no balanço do quarto trimestre. A queda da cotação internacional diminuiu o custo de importações e, em paralelo, o reajuste de preços no mercado doméstico, em novembro, permitiu à estatal ganhar folga de caixa no fim do ano.

Ainda não é possível dimensionar o tamanho do alívio, mas certamente ele será breve, segundo análise de Eric Barreto, analista do Insper. No setor, o prejuízo acumulado nos primeiros seis meses foi de R$ 3,9 bilhões. Além disso,lembra Barreto, com o aumento da produção, a companhia precisará importar menos óleo e passará a exportar, mas a um valor menor no mercado internacional.

Essas oscilações e os prejuízos causados na estabilidade dos investimentos deveriam provocar,no governo,uma reação proativa. A avaliação é do professor da FGV, Salomão Quadros. “Precisa ter um critério para limitar a volatilidade. Pode aplicar um redutor ou calcular a média dos últimos anos, mas não ter nenhum critério é pior”, afirma.

Planejamento. A perspectiva é que o balanço consolidado de 2014 apresente baixas contábeis referentes ao custo da corrupção revelada pela operação Lava Jato.As denúncias têm deteriorado o valor de mercado da Petrobrás desde 3 de setembro, quando atingiu o valor máximo do segundo semestre, de R$ 311 bilhões. Desde então, o valor de mercado iniciou uma trajetória de queda, e, atualmente, está em R$ 154 bilhões.

Após os balanços, o mercado ainda deverá esperar até abril para ter uma indicação sobre o novo plano de negócios, atualizado. No último documento,divulgado no início do ano, a Petrobrás previa cotação média do óleo no mercado internacional de US$ 105 para 2014, em trajetória de queda até US$ 95, a partir de 2018. Essa cotação era fundamental para sustentar os expressivos investimentos da companhia, com média de US$ 28 bilhões por ano.

Modelo regulatório. Os recursos são projetados para atender à obrigação legal da companhia operar em todas as áreas do pré-sal – mesmo aquelas concedidas a empresas privadas.

Esse modelo regulatório, aprovado em 2009, é apontado como um fator que pode sufocar o caixa da companhia.

Outro fator que pesa para a estatal é a pressão cambial, afetando diretamente seu endividamento.

Nesse cenário,há um consenso entre analistas de que a estatal deverá cortar custos e investimentos nos próximos anos. No mercado, já se fala na possibilidade de a companhia realizar desinvestimentos de mais ativos e blocos de produção no mercado doméstico.

A companhia já havia admitido a intenção de alterar a projeção de cotação internacional para US$85 já em 2017.A presidente Graça Foster admitiu também que a mudança no cenário global altera as condições de“financiabilidade”da empresa, mas negou que seja necessária nova captação.

A companhia diz estar em posição de “conforto” em relação à viabilidade dos projetos, indicando que a produção no pré sal está garantida mesmo com queda abaixo de US$ 60 dólares, até o limite de US$ 45.

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