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O que é Hedge Accounting


O que é Hedge Accounting
Amauri Moraes
Amauri Moraes
Consultor da M2M
Eric Barreto
Eric Barreto
Professor do Insper e diretor da M2M

10/08/2015

Hedge accounting ou “contabilidade de hedge” é uma estratégia contábil opcional utilizada por empresas que desejam eliminar ou reduzir a volatilidade nos resultados ou no patrimônio líquido decorrente de operações de hedge. Essa volatilidade nasce da forma de mensuração e classificação dos instrumentos utilizados para hedge, que muitas vezes é diferente da forma como os itens protegidos são contabilizados.

O hedge accounting proporciona o casamento das formas de mensuração e reconhecimento de resultados dos instrumentos de hedge no mesmo período contábil em que é apurado o valor justo dos objetos de hedge.

Atualmente, para que um instrumento de hedge possa ser enquadrado em uma estrutura de hedge accounting, devem ser seguidas as normas estabelecidas pelo IASB na IAS 39, aplicável às empresas brasileiras a partir da emissão da Lei 11.638/2007 e do CPC 38, visando principalmente a comprovação de que o risco associado ao objeto de hedge é coberto apropriadamente pelo instrumento de hedge correspondente. Estas exigências necessitam de documentação específica para que os lançamentos contábeis possam ser enquadrados como hedge accounting.

Sete passos para a implantação de hedge accounting

PASSO 1: Identificar os itens ou transações objeto de hedge

O primeiro passo em uma estratégia de hedge accounting deve ser identificar a origem da necessidade do hedge (ex. exportação de café) e se as formas de mensuração e classificação do objeto e do instrumento de hedge podem gerar algum descasamento contábil (accounting mismatches). Se isso acontecer, deve-se investigar se uma estrutura de hedge accounting pode resolver ou mitigar o problema.

PASSO 2: Identificar a categoria de hedge

  • Fair value hedge (hedge de valor justo)
    Proteção de exposição oriunda de mudanças no valor justo de ativos ou de passivos reconhecidos no balanço ou de parte deles.
    Nesse tipo de hedge, tanto o instrumento quanto o objeto de hedge devem ser mensurados a valor justo, com contrapartida no Resultado.
  • Cash flow hedge (hedge de fluxo de caixa)
    Proteção de exposição oriunda de variações no fluxo de caixa que possa ser atribuível a um risco específico associado a ativos ou passivos reconhecidos ou a compromissos firmes ou transações projetadas que sejam altamente prováveis. Nesse tipo de hedge, o objeto protegido continua sendo contabilizado da mesma forma que seria sem a estratégia de hedge accounting, porém, a parte efetiva das variações no valor justo do instrumento de hedge é registrada no Patrimônio Líquido, e não no Resultado.
  • Net investment hedge (hedge de investimento líquido no exterior)
    Proteção de um investimento líquido em uma atividade operacional no exterior.
    A forma de contabilização dessa estratégia de hedge accounting segue a mesma lógica do cash flow hedge, ou seja, o objeto de hedge não muda, mas o instrumento de hedge tem as variações no valor justo da sua parcela efetiva lançados no resultado do período.

PASSO 3: Identificar a natureza do risco do objeto de hedge e o respectivo período

Consiste na identificação dos riscos inerentes aos itens ou transações destacados no PASSO 1 e seus respectivos prazos.

É preciso documentar quais riscos de um objeto de hedge estão sendo protegidos e quais estão fora da estratégia de hedge. Os riscos comumente protegidos pelas empresas são os riscos de variação de: moedas estrangeiras, taxas de juros e commodities.

PASSO 4: Identificar o instrumento de hedge

A partir da análise feita nos passos anteriores, deve-se identificar o instrumento derivativo (ou não derivativo, o que somente é permitido para cobertura de risco cambial) que faz a cobertura dos riscos identificados no passo 3. Geralmente, as empresas optam pela utilização de NDFs, Swaps e Futuros, porém, posições titulares em Opções e estratégias combinadas também podem ser aplicadas.

PASSO 5: Demonstrar que a estratégia de hedge é altamente eficaz

Não basta a empresa escolher um instrumento de hedge adequado para mitigar seus riscos. Para garantir que esse é um instrumento aceito pela normatização contábil para a utilização hedge accounting, é necessário que a empresa periodicamente faça testes de efetividade.

Os testes de efetividade devem ser feitos de forma Prospectiva ou Retrospectiva, sendo:

  • Prospectiva
    No início e ao longo de sua vigência, cada hedge deve ser altamente efetivo, com as variações no valor justo ou no fluxo de caixa do item objeto de hedge sendo compensadas pelas variações no valor justo ou no fluxo de caixa do instrumento de hedge. A avaliação prospectiva enseja a projeção de resultados dos itens envolvidos na estratégia de hedge e uma medição.
  • Retrospectiva
    Mensurado a cada período, o hedge deve manter-se altamente efetivo, com a efetividade dos seus resultados reais dentro da faixa de 80% a 125%.

PASSO 6: Documentar todos os passos acima a partir do início da relação

Cada estratégia deve ser documentada em um memorando de hedge, o qual deve incluir o item objeto de hedge, o instrumento de hedge, a natureza dos riscos, os objetivos da gestão de riscos e a estratégia de hedge, além do método a ser utilizado para medir a efetividade. Os hedges não devem ser designados ou documentados de forma retrospectiva.

PASSO 7: Monitorar a efetividade e terminar a estratégia, se necessário

A cada balanço publicado a Empresa deve testar a efetividade do hedge de forma Prospectiva e Retrospectiva, conforme o passo 5. Uma estratégia de hedge será descontinuada por intenção da entidade, ou quando um instrumento vencer, for exercido, perder a validade, etc., ou se em algum momento ele deixar de satisfazer as condições estabelecidas nos passos anteriores.

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