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Exposição cambial de estatal cresce

Artigo do Valor Econômico analisa o crescimento da exposição cambial da Petrobras, citando o prof. Eric Barreto da M2M Escola de Negócios.


Exposição cambial de estatal cresce
Valor Econômico
Valor Econômico

15/01/2015

Por Fernando Torres.

A queda da cotação do petróleo vai reduzir o tamanho da proteção cambial que a Petrobras tinha conseguido, ao menos para seus resultados de curto prazo, quando adotou a contabilidade de hedge, no segundo trimestre de 2013.

Na prática, isso significa que a alta de 20% da taxa de câmbio no segundo semestre, quando o dólar saiu de R$ 2,20 para R$ 2,65, pode fazer um estrago maior do que se imagina no resultado da companhia em 2014 - que se somará às baixas por corrupção e eventualmente por perda de valor recuperável (impairment) de ativos.

Segundo Eric Barreto, diretor da consultoria M2M, quando a Petrobras adotou a contabilidade de hedge, a dívida em dólar da companhia foi segregada em prazos de vencimento, e esses fluxos foram casados com os fluxos de receitas de exportação. Nos dois casos, foi usado um prazo médio de sete anos.

É isso que permite que a variação cambial da dívida seja acumulada no patrimônio, em vez de afetar o resultado de curto prazo. O efeito só aparece no lucro na mesma data em que ocorre a exportação, quando os dois fluxos são compensados.

Mas de acordo com Luiz Fabbrine, sócio diretor da consultoria FBM, como a receita projetada com exportação deve cair, por causa do petróleo mais barato, isso vai "acelerar o reconhecimento da variação cambial no resultado".

Numa simulação feita pelo Valor, que leva em conta a variação cambial ocorrida no segundo semestre sobre o valor de ativos e passivos e moeda estrangeira existentes em junho (data do último balanço), e uma estimativa de queda de 30% na receita em dólar com exportações futuras de petróleo, em decorrência da queda do Brent, a exposição cambial líquida da Petrobras praticamente dobraria, passando de R$ 52,95 bilhões para R$ 102,55 bilhões.

Segundo Fabbrine, no mínimo para fins fiscais, as empresas que adotam essa opção contábil devem reavaliar todos os meses qual o fluxo de caixa futuro previsto de exportação para readequar qual volume pode ser designado para contabilidade de hedge. "E esse fluxo de caixa provável com exportações vai cair em função do preço do petróleo", diz o especialista.

Em junho, a Petrobras dizia que tinha US$ 48,86 bilhões em exportações "altamente prováveis" previstas para os próximos sete anos, prazo que ela usou como referência para "casar" com a parte de sua dívida em moeda estrangeira que tinha prazo semelhante.

Pelo câmbio de junho, a R$ 2,20, as exportações projetadas ficavam em R$ 107,61 bilhões e ajudavam a reduzir substancialmente a exposição de R$ 189,68 bilhões a passivos em moeda estrangeira na mesma data. Outro componente de proteção vinha de ativos financeiros no exterior, essencialmente caixa, no valor de R$ 29,13 bilhão na ocasião, resultando numa exposição líquida de R$ 52,95 bilhões.

Na simulação de fim do ano, feita pelo Valor, com o câmbio a R$ 2,65, o passivo e o ativo financeiro em moeda estrangeira sobem em linha, os mesmos 20%, mas a receita projetada com exportação de petróleo diminui, porque a cotação do Brent mais do que compensou a alta do dólar.

No ano passado, a companhia exportou US$ 15,17 bilhões, com uma média de 393 mil barris diários vendidos ao exterior. No primeiro semestre, foram outros US$ 6,43 bilhões exportados, para uma média de 336 mil barris.

Em junho, a Petrobras tinha um estoque de R$ 5,14 bilhão de perda por variação cambial registrado apenas no patrimônio, que ainda será lançado contra o resultado no futuro, de forma casa com as exportações.

Na visão da Barreto, o efeito da proteção cambial menor deve aparecer no balanço do quarto trimestre, pois o preço do petróleo caiu mais fortemente a partir de outubro. "E a variação cambial do último trimestre também não deve ser pouca coisa, já que o dólar a vista subiu mais de R$ 0,20 no período", diz ele.

Barreto entende ainda que eventuais baixas por impairment que a Petrobras tenha que fazer por causa do petróleo mais barato só seriam necessárias no balanço de dezembro, já que em setembro o barril ainda não havia caído.

Essa não é a visão de outras fontes, que entendem que registrar a baixa em setembro dá uma informação melhor ao usuário.

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