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Dívida alta e giro baixo de ativos diferenciam brasileira

Matéria do Valor Econômico com comentários do Prof. Eric Barreto, diretor da M2M Escola de Negócios


Dívida alta e giro baixo de ativos diferenciam brasileira
Valor Econômico
Valor Econômico

05/08/2015

Por Fernando Torres

A dívida financeira elevada e a baixa "produtividade" dos ativos são as principais características que diferenciam a Petrobras de suas principais competidoras internacionais. Já em termos de margem operacional, por exemplo, a estatal brasileira não está tão distante das concorrentes.

As conclusões constam de estudo feito por alunos de pós-graduação em finanças do Insper, sob coordenação do professor Eric Barreto, que também é diretor da M2M Escola de Negócios.

O levantamento teve como base os dados referentes ao balanço do primeiro trimestre das americanas ExxonMobil e Chevron, da britânica BP, da anglo-holandesa Shell, da russa Rosneft e da colombiana Ecopetrol (neste último caso com números do quarto trimestre).

O estudo mostra que, enquanto as grandes petrolíferas dos mundo têm endividamento líquido médio equivalente a uma vez sua geração de caixa potencial medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), no caso da Petrobras esse indicador fechou março deste ano em quase 4 vezes, quando medido em dólares.

Em termos financeiros, a dívida líquida da Petrobras alcançou US$ 103,7 bilhões em março. Bem atrás dela, estavam a Rosneft, com US$ 52,7 bilhões, e a BP, com compromissos de US$ 30,6 bilhões.

Outro dado interessante encontrado pelo estudo é que, em termos de margem operacional, que mostra quanto a empresa consegue capturar de lucro operacional para cada dólar de receita, os dados da Petrobras não destoaram do restante no período de 12 meses até março, quando descontados os efeitos das baixas contábeis, por serem considerados não recorrentes.

Sem contar a Ecopetrol, que teve um desempenho positivo fora da curva, a margem de 9,7% da estatal brasileira ficou perto dos pouco mais de 8% da média das demais companhias do setor.

O que penaliza o resultado da empresa brasileira, ainda conforme o estudo, é que o "giro dos ativos" da Petrobras está bem abaixo do observado nas demais empresas. Essa medida contábil é resultado da divisão da receita obtida em 12 meses pelo total de ativos da companhia e dá uma ideia de produtividade daquela base de ativos.

Enquanto suas principais concorrentes registraram vendas anuais equivalentes a mais de 90% da base de ativos, no caso da Petrobras essa medida ficou em 50% nos últimos 12 meses.

Segundo Barreto, esse desempenho é condizente com a situação atual da Petrobras, que fez pesados investimentos ao longo dos últimos anos, mas que ainda estão em fase de maturação.

É principalmente por conta desse baixo giro, e não tanto pela margem, que se explica o fato de que o retorno sobre os ativos da Petrobras tenha ficado em 5,1%, contra uma média de quase 10% das concorrentes internacionais.

De acordo com Barreto, nesse momento de clima político exacerbado é interessante fazer esse tipo de comparação para que se busque uma visão mais neutra sobre a situação da empresa.

Em relação ao preço das ações, o estudo fez a comparação da medida que relaciona valor de mercado e patrimonial das empresas, identificando que a Petrobras é mais barata entre elas. Enquanto a estatal brasileira é negociada na bolsa por menos de 50% do seu patrimônio, a média das concorrentes é de uma relação de 1,35 vez para o indicador.

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