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Carreira na Contemporaneidade

Artigo de Fátima Jinnyat, professora da M2M, sobre as mudanças nos perfis profissionais e os desafios da carreira contemporânea.


Carreira na Contemporaneidade
Fátima Jinnyat
Fátima Jinnyat
Professora da M2M

20/02/2015

O publicitário Nizan Guanaes, afirma que “vivemos uma revolução humana, da alma, dos hábitos”; vou além e incluo a carreira no mesmo processo de transformação.

O momento é de ruptura, o que não é de todo ruim pois abre espaço para renovação, reinvenção, onde a criatividade emerge como um talento fundamental. Pensar bem a carreira, começa por encará-la como a parte mais importante de sua biografia, pois lá no final da vida será por ela que, invariavelmente, começará a contar sua história. O que você fez para ganhar a vida, ou como você “ganhou da vida”?

Ao observarmos que o mundo se torna essencialmente pragmático e imediatista, rápido e nervoso; sentimos receio em não atender às demandas titânicas das empresas, do mercado, dos clientes e principalmente a nossa. A carreira midiática, festeja um tipo de sucesso atrelado ao poder pessoal e ao status conquistado através do dinheiro, entretanto nossas necessidades humanas gritam por qualidade de vida, controle do próprio tempo, busca de sentido no que se faz.

Mudanças trazem paradoxos, saber lidar com estas forças contrárias contribui para fazermos a travessia com equilíbrio. Protagonistas das próprias escolhas, é preciso estar atento para decidir de modo lúcido para não passar a vida lamentando o leite derramado. Lembrar que escolhas sempre envolverão uma renúncia e que cada decisão pode acarretar ônus ou bônus.

Os fatos evidenciam uma nova classe de profissionais que encara a carreira sob um novo prisma, mais criativo, inovador, humanista que consciente dos problemas do mundo, investe na inovação que tanto precisamos. Empreendedores ou “intra-empreendedores”, solitários ou a serviço de grandes organizações fazem diferentemente o dia-a-dia do trabalho, buscando cooperar e não só competir, gerando valor individual e coletivo.

Esta nova ótica do trabalho pode ser um novo caminho, e alguns fatores em um futuro próximo influenciarão a construção da carreira:

  • A longevidade, vivemos mais e assim a carreira fica mais longa, podendo ser reinventada de tempos em tempos.
  • Novas gerações, uma nova mentalidade traz de volta o trabalho por vocação, onde o importante é fazer o que se gosta ou gostar do que se faz.
  • Novas competências são necessárias para lidar com uma nova economia, um novo mercado e um novo relacionamento com clientes, não mais sujeitos passivos à espera de que sejam agradados, mas agentes co-criadores de produtos e serviços.

Moldar uma carreira começa por um sério investimento em autoconhecimento para que se tenha uma dimensão real do próprio potencial a ser lapidado. Lances de sorte são para os oportunistas que usam a carreira como meio para atingir um fim; a carreira sustentável exige disciplina, método, flexibilidade, resiliência, imaginação, ousadia, criatividade entre outras habilidades. O profissional do presente deve se questionar todo o tempo sobre – o que já faz bem e o que pode fazer melhor.

Habilidades técnicas e processuais hoje em dia são encaradas como commodity, sendo pré-requisito para a entrada no mercado de trabalho. Além destas será importante cuidar das subjetivas, entre elas as emocionais, que contribuirão para se relacionar bem consigo mesmo e de quebra com os outros.

Na carreira contemporânea, uma boa reputação é fundamental pois será por ela que será reconhecido no mercado, garantindo sua empregabilidade. Num mundo de recursos escassos, a reputação se constrói com valores sólidos, mais direcionados ao coletivo do que ao individual.

Por fim, citando o neurocientista Howard Gardner, vale investir no desenvolvimento das cinco mentes para ter acesso ao futuro:

  • Mente disciplinada – O domínio das principais escolas de pensamento (incluindo ciências, matemática e história) e pelo menos uma habilidade profissional.
  • Mente sintetizadora – A capacidade de integrar ideias de diferentes disciplinas ou esferas em um todo coerente e de transformar essa integração para outras pessoas.
  • Mente criadora – A capacidade de revelar e resolver novos problemas, questões e fenômenos.
  • Mente respeitosa – A consciência e compreensão das diferenças entre os seres humanos.
  • Mente ética – O cumprimento das próprias responsabilidades como trabalhador e cidadão.

A carreira exige um processo de construção contínua, sempre dinâmico, sempre desafiador... como a vida!